Boa Vista Junina transforma cultura em emprego, renda e oportunidades
Maior Arraial da Amazônia gera mais de 1.500 postos de trabalho e movimenta setores como gastronomia, artesanato, comércio e economia criativa
Por Wandilson Prata
há 9 horas - Última atualização há 9 horas
A cada edição, o Boa Vista Junina se consolida como uma das maiores expressões da cultura popular de Roraima, além de impulsionar de maneira significativa a economia local. Reconhecido por ser o Maior Arraial da Amazônia, o evento movimenta diversos setores produtivos da capital, gerando emprego, renda e oportunidades para centenas de trabalhadores e empreendedores.
De acordo com o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec), Dyego Monnzaho, o Boa Vista Junina gera mais de 1.500 postos de trabalho, garantindo que os investimentos realizados pela prefeitura retornem para a população por meio do fortalecimento da economia local.
“Aquecemos diversas cadeias econômicas e produtivas. Temos artistas, produtores, técnicos, cenógrafos, maquiadores, figurinistas, bailarinos, coreógrafos e muitos outros profissionais que dependem desse movimento. Sem contar todo o comércio de ambulantes, a venda de bebidas e alimentos, que também proporciona uma forte movimentação da economia local”, destacou.
Sabores que movimentam a festa e impulsionam negócios
A praça de alimentação tem sido um dos espaços mais movimentados do Boa Vista Junina, reunindo sabores que refletem a diversidade cultural da festa. Entre as opções mais procuradas estão as tradicionais comidas de São João, como pamonha, canjica, milho cozido e mungunzá.
A empreendedora Pamela Dias participa do Boa Vista Junina desde 2018 ao lado do marido, Igor Moraes, levando ao público uma variedade de pratos que já se tornaram tradição entre os visitantes do arraial. No cardápio, opções como carne de sol na chapa, galinha caipira, picanha na chapa, vatapá de camarão, peixe à delícia, feijão-tropeiro e salpicão atraem quem busca sabor e comida caseira durante a festa.
Segundo Pamela, o diferencial está no preparo dos pratos, feitos com ingredientes selecionados e aquele tempero caseiro que conquista moradores e turistas.
“Como empreendedora, o Boa Vista Junina sempre nos deu um bom retorno financeiro. Só no ano passado, chegamos a faturar cerca de R$ 27 mil e a nossa expectativa para esse ano é aumentar esse valor. Aqui servimos toda a família, porque oferecemos pratos para todos os gostos”, destacou a empreendedora.
O público também encontra opções de pratos de outras regiões do Norte do país. O empreendedor Daniel Franco traz a gastronomia do Pará e Amazonas, apostando em pratos típicos, como o famoso tacacá, vatapá e o pirarucu à casaca, ampliando a experiência gastronômica dos visitantes.
“Tenho quatro anos trabalhando no Boa Vista Junina. Sempre buscamos nos diferenciar, mostrando a culinária do Amazonas e Pará. Ano passado, chegamos a faturar cerca de R$ 13 mil e pretendemos lucrar ainda mais nesse ano”, frisou.
Empreendedorismo ganha vitrine no Maior Arraial da Amazônia
Outro destaque do Boa Vista Junina é a participação dos beneficiários da Agência Municipal de Empreendedorismo e Fomento (AME) e da Feirinha de Artesanato, que aproveitam o grande fluxo de visitantes para divulgar seus produtos, conquistar novos clientes e fortalecer seus negócios.
Entre eles está a paraibana Ana Clécia, que participa do Maior Arraial da Amazônia desde 2023, ao lado da filha Jade Forechi. Neste ano, ela inovou ao criar a "Casa de Lampião e Maria Bonita", um espaço temático, com produtos da cultura nordestina, que vão desde redes e mantas a bolsas, jogos de mesa, dentre outros itens.
Para tornar a experiência ainda mais autêntica, a empreendedora criou um cordel que narra sua trajetória de vida, desde a saída da Paraíba até a construção de sua história e do seu negócio em Boa Vista. O espaço também se transformou em uma oportunidade para toda a família empreender. Ana conta com o apoio da sobrinha, Ana Stephany, que aproveita o evento para comercializar acessórios para cabelo e roupas temáticas de São João.
Segundo Ana Clécia, o Boa Vista Junina tem sido fundamental para o crescimento do negócio. No ano passado, ela chegou a faturar cerca de R$ 20 mil durante o evento e acredita que a edição deste ano será ainda melhor.
“Este ano, decidi criar um espaço para que as pessoas se sintam acolhidas. Mais do que atender clientes, quero ouvir histórias, trocar experiências e fazer com que cada visitante se sinta em casa. A Casa de Lampião e Maria Bonita nasceu com esse propósito de aconchego e de valorização das nossas raízes”, destacou a empreendedora.