Boa Vista Junina

BV JUNINA 2026 - Feira de Artesanato une história de talento e empreendedorismo no Maior Arraial da Amazônia

Na Praça Fábio Marques Paracat, a arte se transforma em memória afetiva, sustento e identidade cultural

Por Lucas Aires

há 14 horas

Há um fio invisível que costura as tradições de um povo. Ele passa pelas mãos de quem molda o barro, confecciona colares, retoca pinturas, costura bolsas e cria tantas outras peças. Nesta sexta-feira, 19, na Praça Fábio Marques Paracat, esse fio se revela em cada item exposto na Feira de Artesanato, um dos espaços do Boa Vista Junina 2026, onde o talento ganha forma, cor e textura.

 

 

O compromisso da prefeitura, por meio da Agência Municipal de Empreendedorismo (AME), se traduz em estrutura, organização e dignidade para quem transforma criatividade em ofício. A feira se consolida como uma vitrine viva da identidade local. Cada compra representa mais que uma transação comercial: é um gesto de pertencimento e valorização da cultura regional.

 

"A prefeitura abriu as portas para vários artesãos e microempreendedores que estão ganhando o seu sustento", disse Sigrid

 

As vozes que ecoam entre as barracas vêm de um espaço onde as peças parecem dialogar com quem passa. A manauara Sigrid Braga conheceu o artesanato ainda na adolescência, incentivada pela mãe. Hoje, aos 56 anos, acumula três décadas de dedicação à atividade e destaca a importância de participar da feira.

“Eu sou de Manaus, mas moro em Roraima há 10 anos. Boa Vista é uma cidade acolhedora, aconchegante e aqui temos várias oportunidades. A prefeitura abriu as portas para vários artesãos e microempreendedores que estão ganhando o seu sustento. Sou beneficiária da AME, que nos dá uma grande oportunidade para investir no nosso negócio, e isso é importante demais”.

 

"Eu lia revistas e fui aperfeiçoando a técnica. Hoje faço tudo de cabeça e essa é minha principal fonte de renda", contou Rosiana

 

Sob uma lona iluminada, outra artesã dá ritmo às mãos enquanto desperta a admiração de quem observa. Rosiana Silva trabalha com crochê há 20 anos. Sua trajetória é a prova de que a arte pode nascer de um instante e acompanhar uma vida inteira.

“Quando eu era bem pequena, minha tia já fazia crochê. Daí surgiu a vontade de aprender também, mas eu sabia pouquíssimas coisas. Já adulta, eu tinha um restaurante e uma funcionária fazia isso nas horas vagas. Aquilo reacendeu meu interesse e pedi que ela me ensinasse. No começo foi bastante complicado. Eu lia revistas e fui aperfeiçoando a técnica. Hoje faço tudo de cabeça e essa é minha principal fonte de renda. Agora tenho um ponto físico. A AME me deu apoio, participo das palestras e acho tudo maravilhoso. Sou beneficiária e participo de todos os arraiais”.

 

A curitibana Andressa (à esquerda) comprando sua primeira bolsa em Boa Vista

 

Enquanto a festa pulsa ao redor, há quem faça uma pausa diante das bancas para apreciar cada detalhe com calma. Em sua primeira visita a Boa Vista, a turista curitibana Andressa Jarletti comprou produtos artesanais e experimentou o tacacá roraimense. Para ela, a experiência resume o sentimento de participar de um evento tão especial.

“Cheguei aqui nesta madrugada. Nunca tinha visitado Boa Vista antes e estou gostando muito. O arraial é muito bonito e há uma grande variedade de comidas e artesanato. Estou tomando tacacá novamente. Eu já tinha provado quando fui ao Pará. Comprei uma bolsa muito linda e um brinco maravilhoso. Há várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, e isso é muito legal”.

 

"É um incentivo para que esses produtores e empreendedores continuem desenvolvendo esse trabalho", destacou Alexandre

 

Há também quem chegue à feira motivado por um propósito que vai além do simples consumo. Alexandre Tabal entende que cada compra contribui para fortalecer sonhos, gerar renda e impulsionar pequenos negócios.

“Poder contribuir com a economia do pequeno empresário e do pequeno produtor é muito bom. A gente vê essa diversidade do comércio na nossa população. Pode parecer algo simples, mas para eles e para toda a comunidade isso significa muito. Comprei um cordão muito bonito. É um incentivo para que esses produtores e empreendedores continuem desenvolvendo esse trabalho. Ainda mais no artesanato, que é uma produção tão bonita, feita à mão e carregada de uma cultura construída ao longo de muitos anos”.

 

A feira se consolida como uma vitrine viva da identidade local

 

*Supervisionado por Shirleia Rios*