DIA DO NUTRICIONISTA - Muito antes de chegar ao prato, merenda escolar passa por planejamento, cuidado e acompanhamento
Conheça as diferentes frentes de trabalho para garantir alimentação adequada dos mais de 54 mil alunos da Rede Municipal de Ensino
Por Marcus Miranda
há 3 horas - Última atualização há 3 horas
Uma alimentação adequada faz diferença na hora de aprender, brincar, crescer e se desenvolver. Para garantir que isso faça parte da rotina dos mais de 54 mil estudantes da Rede Municipal de Ensino, existe um trabalho que começa muito antes de a merenda chegar ao prato. Neste 31 de agosto, Dia do Nutricionista, a Prefeitura de Boa Vista destaca a atuação dos profissionais responsáveis por planejar, acompanhar e avaliar cada etapa da alimentação escolar.
Na rede, esse cuidado envolve desde a elaboração dos cardápios até visitas às unidades de ensino, capacitação das merendeiras, ações de educação alimentar e nutricional, acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes e avaliação da aceitação das preparações. Há ainda o trabalho administrativo relacionado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), incluindo processos de aquisição e acompanhamento de fornecedores.
Do planejamento ao prato
Como responsável técnica pelo PNAE no município, a nutricionista Elizabeth Gomes acompanha as diferentes etapas da alimentação escolar. Segundo ela, o trabalho começa pelo planejamento dos cardápios, mas se estende por todo o processo de execução nas unidades de ensino.
“Além de planejar e executar os cardápios, acompanhamos as escolas, fazemos capacitações com as merendeiras, educação nutricional, avaliação do estado nutricional das crianças e os testes de aceitabilidade. São atividades que se relacionam e nos ajudam a entender o perfil dos nossos alunos e pensar estratégias de acordo com cada realidade”, explicou.
Em 2026, o cardápio das escolas de Boa Vista passou por uma ampla reformulação, com novas preparações, entre elas feijoadinha com arroz brasileirinho, arroz de horta, salpicão de frango, cuscuz nordestino e feijão tropeiro. Além do valor nutricional, o planejamento considera as diferentes faixas etárias e as necessidades específicas dos estudantes. Esse cuidado é ainda mais importante para os alunos que permanecem em tempo integral nas unidades e fazem quatro refeições ao longo do dia.
“Essa alimentação precisa ser adequada à idade e às necessidades de cada criança. Quando ela se alimenta de forma saudável, tem melhores condições para se desenvolver, estudar, brincar e correr. Planejamos o cardápio para atender às necessidades nutricionais e contribuir para que nossos alunos tenham um bom desempenho na escola e na vida”, ressaltou Elizabeth.
Acompanhamento que ajuda a direcionar ações
Além do que vai para o prato, a equipe acompanha como os estudantes estão se desenvolvendo. Pelo menos duas vezes ao ano, é feito o trabalho de antropometria, com aferição de peso e altura das crianças para avaliação do estado nutricional.
Com os dados, a equipe consegue trabalhar de forma mais direcionada questões como excesso de peso, obesidade e déficit nutricional, além de abordar temas relacionados ao consumo de alimentos in natura e à redução dos ultraprocessados.
O nutricionista George Barros, responsável por coordenar esse trabalho, explica que as informações permitem identificar diferentes cenários dentro da rede e direcionar estratégias de acordo com as necessidades encontradas.
“A avaliação nutricional é essencial para observarmos nossas crianças. Aferimos peso e altura e, a partir dos resultados, conseguimos traçar planejamentos. Se identificamos, por exemplo, um percentual maior de obesidade em determinada escola, podemos direcionar as ações de educação nutricional para aquela realidade”, explicou.
Crianças também participam das escolhas
Para que uma refeição permaneça no cardápio, não basta apenas atender às necessidades nutricionais: ela também precisa ser bem aceita por quem vai consumi-la. É aí que entra o teste de aceitabilidade, ferramenta do PNAE utilizada para avaliar novas receitas.
A atividade é feita com uma amostra de estudantes, que experimentam as preparações e demonstram o nível de satisfação por meio de uma escala com diferentes expressões (rostos felizes, mais sérios, tristes), impressas em fichinhas.
A nutricionista Letícia Bueno, que coordena esse trabalho, explica que, além de gerar dados para a equipe, o momento permite ouvir diretamente as crianças. “A alimentação não envolve apenas o valor nutricional, os macros e micronutrientes. Precisamos que elas se alimentem e, para isso, precisam aceitar bem o alimento. A opinião delas é muito importante. Além de avaliar, aproveitamos esse momento para conversar sobre o cardápio, saber o que gostam mais e o que gostam menos”, contou.
As novas preparações inseridas no cardápio de 2026 estão passando por esse processo de avaliação. Entre elas está a feijoadinha, que já foi testada e teve boa aceitação entre os alunos.
Hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida
Outro destaque importante desse trabalho é a educação alimentar e nutricional, que ocorre por meio de brincadeiras, dinâmicas, palestras, rodas de conversas, sendo escolhidas e direcionadas de acordo com a idade dos alunos.
Mais do que incentivar o consumo dos alimentos oferecidos na escola, as ações buscam ajudar as crianças a compreender a importância de escolhas saudáveis e construir uma relação positiva com a alimentação.
Segundo a responsável por este trabalho, Lusyanny Parente, esse aprendizado pode ultrapassar os muros das unidades de ensino e chegar às famílias. “A educação nutricional ajuda a explicar para essa criança a importância de uma alimentação saudável. Isso não se reflete somente na aceitação do cardápio dentro da escola, mas também no hábito alimentar em casa e em outros lugares, que pode refletir na vida adulta”, destacou.
Trabalho que virou referência
O cuidado com a alimentação escolar também vem conquistando reconhecimento. Em janeiro deste ano, pesquisa do Instituto Veritá colocou a merenda escolar de Boa Vista em destaque entre as capitais brasileiras, com nota 8 no levantamento sobre a qualidade dos serviços públicos.
Somente em 2025, foram distribuídos 1.548.906 quilos de alimentos às unidades municipais, sendo 52% do volume composto por hortifrúti. Parte desses produtos chega às escolas por meio de cooperativas, fortalecendo também a agricultura local.
Na outra ponta desse trabalho estão as merendeiras, responsáveis por transformar o planejamento nutricional em refeições preparadas e servidas diariamente aos estudantes. E esse cuidado também ganhou reconhecimento nacional em 2026.
Vânia Patrícia da Silva, da Escola Municipal José Arnóbio, e Liliane da Silva Santos, da Escola Municipal Jael Barradas, venceram o Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com as receitas “Frango Flambado com Creme de Abóbora” e “Gelato de Frutas”, respectivamente.