Giro de Saia Roraimense: o movimento singular das quadrilhas que virou patrimônio de Boa Vista
Valorização e representatividade da cultura da terra influenciaram no reconhecimento
Por Karol Holanda
há 3 horas - Última atualização há 3 horas
Movimentos altos e hipnotizantes, acompanhados pelo balanço de saias longas. Essas são características que marcam as quadrilhas roraimenses e encantam o público por onde passam. Ao unir tradição e inovação, o Giro de Saia Roraimense conquistou um novo reconhecimento e passou a integrar o Patrimônio Cultural Imaterial de Boa Vista.
Diante de sua originalidade, o título vai além da beleza e da força do passo. O reconhecimento está ligado à valorização e à representatividade de uma expressão cultural nascida nas terras mais ao norte do país. O Giro de Saia está entre os 41 bens materiais e imateriais reconhecidos pelo município.
O movimento já existia nas coreografias juninas, mas a partir de Zenilton Ventura o passo recebeu novas características. Ao perceber o potencial das quadrilhas e se aproximar da cultura gaúcha, ele encontrou uma oportunidade para inovar e dar às apresentações juninas de Roraima uma marca própria. Pediu à mãe, que era costureira, uma saia longa e passou a treinar até aperfeiçoar a técnica.
“Comecei a frequentar o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) e observei as prendas usando saias longas. Foi então que pensei: ‘Vou colocar isso nas quadrilhas daqui’. Vesti a saia feita pela minha mãe e comecei a experimentar. Queria mostrar toda a circunferência da saia e fazer com que ela se abrisse completamente, como uma espécie de arco. Dessa forma, fica mais bonito e único”, disse.
A partir daí, o passo ganhou os palcos de todo o país e o reconhecimento de importantes nomes da cultura, como Milton Cunha. O diretor de concurso das quadrilhas, Chiquinho Santos, acompanhou de perto a valorização dessa criação. Para ele, trata-se de uma joia da cultura local.
“Quando o Giro de Saia começa nas apresentações, a resposta da arquibancada é imediata. Eles ‘enlouquecem’. Os quadrilheiros de outros estados ficam curiosos e perguntam como é feito. Figuras culturais brasileiras consagradas reconhecem a singularidade do passo. Eu costumo dizer que o Giro de Saia é a jabuticaba de Roraima, algo que nasceu e se consolidou aqui”, disse.
Sinônimo de vitória
O ex-quadrilheiro Gilberto Garcia possui uma história especial com essa expressão das quadrilhas roraimenses. Para ele, o passo é sinônimo de vitória. Em 2015, Gilberto, com a personagem Gibrielly D’Bruxelas, ganhou o concurso de Rainha da Diversidade da Confederação Brasileira de Quadrilhas Juninas (CONFEBRAQ). O Giro de Saia foi o grande diferencial de sua performance e encantou quem assistiu.
“A coreografia foi pensada para surpreender e gerar expectativa no público. A apresentação aconteceu no Ceará e, para o público de lá, aquilo era algo inovador. Assim que eu comecei o Giro de Saia, os espectadores vibraram calorosamente e aplaudiram de pé aquele instante. Essa trajetória me levou a fazer história e ganhar o concurso”, completou.
DO BRASIL PARA O MUNDO – Em 2014, as quadrilhas roraimenses representaram o Brasil em Nova York, quando 20 artistas do movimento junino levaram manifestações da cultura local para a divulgação da Copa do Mundo, a convite da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (EMBRATUR). A presença do Giro de Saia foi um dos diferenciais que contribuíram para a escolha de Boa Vista como representante do país na programação.