OVITRAMPAS - Prefeitura avança para nova etapa de monitoramento do Aedes aegypti em Boa Vista
Ovos coletados nas armadilhas serão analisados para identificar a resistência do mosquito aos inseticidas e orientar novas ações de controle
Por Ana Gabriela Gomes
há 4 horas
A Prefeitura de Boa Vista avançou para uma nova etapa da estratégia de monitoramento do Aedes aegypti com as ovitrampas. Depois da instalação e do período de acompanhamento das armadilhas nas residências, as equipes da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ) iniciaram a retirada e a análise das palhetas nas quais os mosquitos depositaram os ovos.
O trabalho começa pela contagem dos ovos encontrados nas palhetas, feita no laboratório da UVCZ. Segundo o coordenador Greiner Costa, o levantamento ajuda a identificar a presença e a distribuição do mosquito nas áreas monitoradas. Após a contagem, o material será encaminhado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para uma análise específica.
“Na Fiocruz, os ovos serão analisados e, depois, será feito um teste de resistência ao inseticida que utilizamos, indicado pelo Ministério da Saúde, para verificar o nível de resistência do mosquito. A análise é importante porque os resultados vão ajudar a prefeitura a definir quais estratégias de controle serão mais adequadas para cada área”, disse.
Novas metodologias contra o Aedes aegypti
A partir das informações obtidas pela Fiocruz, a prefeitura poderá mapear os locais com maior índice de infestação e definir quais estratégias de controle serão adequadas para cada um dos 14 bairros que receberam as ovitrampas. Entre as novas metodologias estão as estações disseminadoras de larvicida.
“Essas estações utilizam o próprio comportamento da fêmea do Aedes. Ao entrar em contato com a estação para colocar os ovos, a fêmea fica impregnada com o larvicida, podendo transportar a substância para outros recipientes. Nesses locais, o larvicida pode afetar o desenvolvimento das larvas, reduzindo a possibilidade de novos mosquitos”, explicou.
Participação da população é indispensável
Apesar do trabalho desenvolvido pelos Agentes de Combate às Endemias (ACE), a participação dos moradores também continua sendo fundamental. A cabeleireira Valdete Marques Lima, moradora do bairro Cidade Satélite há sete anos, aceitou receber uma ovitrampa em casa e acompanhou o trabalho das equipes nas últimas semanas.
“Eles explicaram que era um meio de cuidado também, porque estava tendo um aumento de casos no nosso bairro. Então eu aceitei. Quando eles vêm, eu abro o portão e recebo os agentes. Eles sempre me orientam: você tem planta, tem que ter todo cuidado com o acúmulo de água”, contou.
A população deve manter quintais e áreas externas limpas, eliminar recipientes que possam acumular água e permitir o acesso dos agentes aos terrenos. Os profissionais estão sempre devidamente identificados durante as visitas.
Ainda não sabe o que são ovitrampas?
A estratégia das ovitrampas foi iniciada pela prefeitura em agosto, com a implantação de 200 armadilhas em 14 bairros, e integra as ações permanentes de prevenção e controle de arboviroses em Boa Vista. A escolha das regiões levou em consideração o cenário epidemiológico e a ocorrência de casos prováveis de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Saiba mais.