•Saúde
Agentes de endemias trabalham para impedir proliferação do mosquito Aedes Aegypti
Os profissionais se dividiram por quadras e ruas, trabalhando não somente na vistoria de imóveis e com orientações, mas também distribuindo panfletos e pregando cartazes nos pontos comerciais do bairro.
Por SEMUC
09/02/2015
Que o combate ao desenvolvimento das larvas do mosquito Aedes Aegypti deve ser constante, isso todos sabem. Mas colocar em prática ações que previnam a proliferação dele é bem difícil, seja por conta da rotina de trabalho de algumas pessoas, seja pela falta de conhecimento quanto aos locais em que as larvas podem se desenvolver.
Por isso mesmo que, na manhã deste sábado, 7, cerca de 120 agentes de endemias e supervisores fizeram um mutirão no bairro Dos Estados, com o objetivo de criar controle com relação ao mosquito no local, que apresentou o maior índice de infestação da cidade, de acordo com o último Levantamento Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), feito em janeiro. Os profissionais se dividiram por quadras e ruas, trabalhando não somente na vistoria de imóveis e com orientações, mas também distribuindo panfletos e pregando cartazes nos pontos comerciais do bairro.
Mas a ação só obteve resultados satisfatórios por conta da persistência e vontade de ajudar o próximo proveniente dos agentes de endemias. Isso porque a cada 10 casas visitadas, apenas três abriam as portas, de acordo com os agentes. O profissional José Adriano teve que lidar com isso.
“A gente tem que persistir. Sabemos que vai ter uma casa que vai aceitar nossa ajuda e orientações”, contou. Logo em seguida, conseguiu autorização para verificar as condições de um imóvel quanto à prevenção das larvas do mosquito. A dona da residência, funcionária pública Neusa Silva, de 61 anos, disse não ter aberto antes por medo de ser algum mal intencionado.
“Acho que, como eu, algumas pessoas não abrem suas portas porque têm medo de ser alguém disfarçado, mas acredito que a maioria não abra por má vontade, mesmo. Esse agente está identificado, fez questão de me mostrar a documentação que comprova seu trabalho, então não tenho com o que me preocupar. Acho é bom esse trabalho deles”, afirmou Neusa.
A moradora estava despreocupada com a vistoria, porque sempre mantém os vasos das plantas secos, bem como a casa, que está sempre limpa e sem resíduos que possam acumular água parada. Mas então, a surpresa veio: o agente voltou com um pequeno tubo na mão, dentro do qual estava uma larva do mosquito. E elas estavam se proliferando num local pouco imaginado: dentro do ralo de um chuveiro que ficava na parte externa da residência.
Neide prontamente ajudou o agente de endemias a limpar o local, ao mesmo tempo que estava incrédula. “Nunca, nunca, nunca imaginei isso tudo de larva aqui!”, afirmou, assustada. “Mas, de agora em diante, vou tomar ainda mais cuidado. Esse mosquito realmente aparece em qualquer lugar, viu?!”, garantiu a moradora.
Para o coordenador de Vigilância e Controle de Doenças Transmitidas por Vetores, Rogério Lima, o caso de Neide só enfatiza a importância do trabalho dos agentes em cada município. “As pessoas que tentam prevenir geralmente só dão atenção aos grandes focos – caixas d’água, garrafas destampadas -, mas esquecem que até um vaso sanitário com a tampa levantada por muitos dias enquanto o morador está fora, pode se tornar o lar do mosquito”, alertou.
O coordenador ainda atentou para geladeiras frost-free, que possuem reservatórios que acumulam água por dias suficientes para um mosquito botar os ovos e a proliferação ocorrer. Quanto ao alto índice de infestação no bairro Dos Estados, considerado um dos privilegiados da cidade por ser próximo ao centro da capital, Rogério acredita se dê principalmente por conta da despreocupação da população.
“Fomos por lá um tempo desses e o bairro estava tranquilo. Aí os moradores relaxaram e deu nisso. Todo bairro tem foco de mosquito e qualquer um pode se tornar alvo principal de proliferação. É muita bobagem acreditar que o Aedes aegypti só aparece em locais mais distantes do centro da cidade ou humildes”, esclareceu o coordenador, que ainda brincou dizendo que “o mosquito não tem preconceitos, qualquer lugar com água parada está bom para ele”.
Nas ruas: Além do Bairro Dos Estados, equipes da prefeitura atuaram em frente à Assembleia Legislativa do Estado e na rotatória em frente ao Ibama. Distribuindo panfletos para os motoristas e pedestres que passavam e também segurando um cartaz cada vez que o sinal vermelho pintava o semáforo, não tinha como quem passasse por ali esquecer da importância de se prevenir contra a dengue e a Chikungunya.
A agricultora Júlia Francisco da Silva, de 49 anos, leu o panfleto e logo ficou contente com as informações presentes no papel. “Eu acredito que tudo que está aqui deveria ser repetido pela população nas suas casas. Eu faço minha parte, porque quem quer saúde começa cuidando do seu próprio quintal”, enfatizou.
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