O sabor do Maior Arraial da Amazônia: comidas típicas fazem um show à parte
As iguarias encontradas são tantas, sugeridas por sorrisos tão convidativos, que é difícil decidir qual experimentar
Por SEMUC
20/06/2015
Era o sétimo dia do Boa Vista Junina 2015. Naquela pequena mesa, o paulista, a carioca e a manauara discutiam para saber o que era melhor: a carne de São Paulo ou de Boa Vista. "Mas está muito macia, bem acompanhanda", dizia a amazonense Natália Gomes, 27 anos. "É, eu lembro que lá no sudeste era num palitinho fino, bem pouca, mas era muito boa também, tá?!", rebatia o amigo Everton Scilla, de 43 anos.
A moça do Rio de Janeiro olhava tudo rindo. "Gente, está aprovada. Sejamos mais objetivos, olha essa farofa, que gostosa. Não tem isso lá embaixo", frisava Anne Caroline Monteiro, de 27. Todo o debate ocorria em volta de um prato preparado com cuidado pelas seis estudantes de Farmárcia de uma faculdade particular. A carne gorda, acompanhada com farofa, vatapá, arroz e salada, era fruto da vontade de universitárias para conseguir fazer uma boa festa de formatura no fim do ano.
"A gente organizou tudo um mês antes daqui", contava Bruna Aragão, de 24 anos, enquanto calculava a conta de uma mesa numa pequena calculadora. "Todo mundo ajuda, sabe? A gente se divide em equipes e demoramos umas cinco horas para fazer tudo antes de trazer aqui. Só a carne que a gente prepara na hora, mesmo", completou. Segundo a equipe de barraqueiras, são aproximadamente 30kg de carne por dia.
Até agora, a mesma barraca já usou mais de 21kg de milho e 28 de macaxeira para fazer os diferenciais da barraca: bolos. Se você já provou um típico bolo de milho, deve se lembrar dele seco, mas esse que é feito por essas jovens é um doce acompanhado de uma textura cremosa. Tanto ele quanto o de macaxeira - conhecida como mandioquinha em outros estados - são servidos em porções tão generosas que são desaconselháveis para ser apenas sobremesas.
"É que substituímos a margarina por outro ingrediente. Mas não vou te dizer qual é!", sorriu uma das estudantes. Açúcar por açúcar, a cozinheira Nerilane Bastos, com 10 anos de carreira, prefere deixar o tempero de seus alimentos bem leve. "Eu penso demais em quem tem pressão alta, diabetes, então deixo o adoçante e o sal aqui do lado", explicava com a espátula na mão, para continuar fritando aquela carne de sol na chapa.
A macaxeira em cubinhos se misturava com a calabresa e a referida carne naquela gordura. O sabor leve da carne macia, vinha numa porção facilmente divisível para duas pessoas. "É o que mais sai. Tem galinha caipira e assado de panela, mas eu faço bem menos, porque quase não sai. O povo quer é a comida típica desta cidade", frisou a vendedora, que chegou a fritar 15 vezes seguidas a grande porção de carne no dia do show do forrozeiro Dorgival Dantas, por conta do movimento. "Deu gente demais, quase enlouqueci! Mas de felicidade!", lembrou.
As iguarias encontradas foram tantas, sugeridas por sorrisos tão convidativos, que foi difícil decidir qual experimentar. Na barraca da dona Rosenilda Frazão, de 43 anos e 18 de experiência na área de alimentação, o tacacá veio para bater de frente com o da reconhecida Irene. As duas preparam a sopa indígena de forma a honrar seu forte sabor, que adormece a língua e vicia pelo tucupi. "Deus me deu esse dom e eu uso para oferecer o melhor aos meus clientes. Preparo tudo sem pressa, umas sete horas de feitio", afirmou a cozinheira.
O cuidado no preparo de todas essas comidas, típicas de arraial, é sentido pela língua. Todas os pratos mencionados foram aprovados pelos consumidores. "Tá bem gostoso, mas eu não tava preparado para o tanto que vem. Povo gosta de economizar na quantidade, mas aqui a gente paga mesmo pelo que comemos", contou o estudante Dener Silveira, de 22 anos. Estava degustando a já mencionada carne de sol na chapa.
Mais iguarias: Durante o passeio pelas 40 barracas de alimentação principais do Boa Vista Junina 2015 outros alimentos bem diferentes para o turismo eram comercializados. A moça com sotaque sulista olhava admirada para a Chica Doida, um prato típico feio com queijos coalho e mussarela, calabresa, bacon e milho. "Tá bonito... Mas não sei se aguento comer tudo isso!", exclamava a turista.
Seguindo aquele forró antigo, foi encontrado pé de moleque melado, cana, aipim, batatinha e também, pamonha, vatapázão, munguzá e tantas outras comidas juninas que listar se torna uma tarefa árdua. "É um segmento muito importante para o turismo local, pois temos todo favorecimento da nossa vegetação, de nossas águas. Por isso mesmo estamos promovendo o paçocão no domingo - para enfatizar que Boa Vista é uma das cidades com melhor cardápio do país", afirmou Alda Amorim, superintendente de Turismo da Fetec - Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura.
Nossa meia tonelada de carne de sol com farinha de mandioca é um convite para que todos provem um dos melhores sabores de nossa querida Boa Vista. Só não vale deixar o paladar de fora dessas iguarias.