Cidadania

Taxista recebe homenagem de familiares, amigos e entidades públicas

À frente do cortejo, estavam fiscais da Emhur e da Superintendência Municipal de Trânsito (Smtran), prestando homenagem ao trabalhador.

Por SEMUC

02/06/2015

Mais de 400 táxis lotação estavam em fileira na avenida Ataíde Teive, na manhã desta sexta-feira, 29. Mal conseguiam esperar para passar a primeira marcha e iniciar o cortejo. Queriam homenagear e, também, protestar pelo amigo e colega de trabalho Genival Lucas Lima. O profissional foi encontrado morto, vítima de assassinato, na manhã do dia 27 deste mês.

Durante o trajeto, que compreendeu também as avenidas Glaycon de Paiva, Sílvio Botelho e Ville Roy, buzinas eram apertadas com força. Para cada som que se escutava, havia um taxista com indignação e fúria estampadas no rosto. Tudo isso porque um homem, que há 17 anos prestava serviço para a população e fazia questão de manter a documentação em dia na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur), foi executado, covardemente, sem motivo algum.
Pedestres e vendedores expressavam surpresa com os carros passando alinhados. De longe, alguns pareciam compreender muito bem o que ocorria. Outros largavam o que estavam fazendo e se benziam. Um gari, que estava varrendo uma calçada, largou o material e se sensibilizou com a homenagem. Houve um motorista que se irritou com o trânsito, o qual ficou lento. “Por favor, respeita. Tenta entender o que houve, não precisa xingar. É pelo nosso amigo, senhor”, respondeu um taxista.
À frente do cortejo, estavam fiscais da Emhur e da Superintendência Municipal de Trânsito (Smtran), prestando homenagem ao trabalhador. A Ronda Ostensiva Municipal (Romu) seguiu o movimento, ao lado de agentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RR) e policiais militares. O préstito se encerrou no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, bairro São Vicente.
No local, entre mais de 500 pessoas, estavam familiares e munícipes que se sensibilizaram com a crueldade, além de amigos. Um deles, o secretário adjunto de Obras e Urbanismo, Ubirajara Magalhães. Quieto, silencioso, Bira só conseguia lembrar da gratidão que tinha pelo amigo.
“Foi meu vizinho por 15 anos”, lembrava o secretário. “Era sereno, reservado, trabalhador. Equilibrava toda vida profissional e social. Devo a vida dos meus filhos a ele”, contou. “Meu menino uma vez adoeceu, mas prontamente o Genival o levou ao hospital. Foi meu vizinho por tanto tempo e eu nunca ouvi uma única elevação de voz vindo daquela casa. Era um homem calmo”, frisou Bira.
Mesmo quem não conhecia muito bem Genival, se prestou a ir ao enterro por consideração à gentileza do taxista. Júlio Nascimento, também motorista de lotação, foi uma dessas pessoas. “Eu tinha falado com ele na segunda-feira à tarde. Não dá para acreditar”, comentava. “Todos nós somos pais de família, a gente só quer o bem dos nossos filhos. Mas a gente nunca sabe o dia de amanhã”, lamentou.
Dos cinco filhos do motorista, o mais velho lembrou: “Esse cara acordava 6h, todo dia, para batalhar e ganhar seu pão. Mas injustiça tem em toda parte, só que nunca imaginamos que ela chegará ao nosso lar”. Do lado, a viúva só conseguiu dizer que viveu com um homem guerreiro. “Estávamos juntos há 33 anos. Era um exemplo de homem. Igual a ele não tem mais neste mundo”, afirmou.
Em nome da prefeita Teresa Surita, a diretora de Mobilidade Urbana da capital, Veronice Romão, lembrou de Genival emocionada. “Estou há 14 anos na Emhur e é muito duro ver que a prefeitura perdeu um profissional que era exemplo de dignidade e honestidade. Este homem sempre cuidava do seu alvará, nunca tivemos uma única reclamação contra ele, além de ser supertranquilo. Era muito responsável”, lembrou.
Ao final da homenagem, o irmão mais novo de Genival, José Maria, autorizou que a tampa do caixão fosse colocada. Quando isso ocorreu, entre lágrimas e desespero, José, que foi praticamente criado pelo taxista, sussurrou: “Tchau, meu irmãozinho”. Abaixou a cabeça e voltou a chorar nos ombros da companheira. “Meu irmão, meu irmãozinho”.