Uma família de caipiras sai da roça em busca de uma sala de cinema onde o filho possa assistir a um filme de Mazzaropi. O nordeste é o cenário dessa aventura que mistura comédia e drama numa homenagem a um dos maiores artistas brasileiros. O filme Tapete Vermelho, de Luiz Alberto Pereira, emocionou os espectadores, 170 idosos do Programa Cabelos de Prata, que durante a exibição voltaram às origens. A sessão de cinema foi montada no Ginásio Romerão, na Vila Olímpica Roberto Marinho, na manhã desta quarta-feira, 14.
A plateia era formada por idosos atendidos pelo Centro de Referência da Assistência Social do bairro Pintolândia (Cras), uma turma cheia de roraimenses e muitos nordestinos vindos de estados como Ceará e Maranhão. O cearense Vicente Alves da Cruz, 73 anos, acompanhou atento a estória mostrada na tela e lembrou da própria infância.
“Tem muitas pessoas, principalmente as que moram em cidades grandes, que não conhecem a realidade do nordestino. É uma vida sofrida, de trabalho na roça, mas que mesmo assim mantém a alegria. Eu vivi isso”, contou o aposentado que saiu do Ceará há quase 50 anos e há duas décadas mora em Boa Vista, cidade pela qual se apaixonou.
Outra cearense que sorriu e se emocionou durante a sessão foi a dona Ivaneide Caxias Fonseca, 62 anos. “Quando falou do Mazzaropi no filme, eu disse: Meu Deus do céu, é meu povo!”, contou a aposentada fã do ator e cineasta que retratou a vida simples do sertanejo e virou personagem da cultura popular brasileira.
Para o coordenador do Programa Cabelos de Prata, Thiago Brasil, a escolha do filme foi com o propósito de fazer um resgate cultural e histórico. “A temática tem a ver com a questão regionalista, pra que o idoso volte a suas origens, já que muitos aqui são do nordeste. Também trazer um pouco da vida rural, pois muito deles já trabalharam nessa área”, explicou.
Os idosos aprovaram a sessão de cinema que faz parte da programação do mês do idoso. As atividades seguem até o dia 27 desse mês.