Uma cidade toda mobilizada. Voluntários, agentes de endemias e militares formavam várias equipes que se dividiram nas ruas de oito bairros de Boa Vista. A união tinha um objetivo: mostrar que um mosquito não é mais forte que uma cidade inteira. Neste sábado, 13, aproximadamente 4 mil pessoas saíram de porta em porta orientando e convocando a população a eliminar os focos do transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.
A força tarefa entre Prefeitura, Exército Brasileiro, Força Aérea e Governo do Estado, além de conscientizar, também tomou medidas emergenciais. Os terrenos baldios que estavam sujos, com mato alto, receberam uma placa de notificação. Os proprietários também vão receber uma correspondência com o aviso e terão até dez dias para limpar o terreno. Caso não cumpram o prazo, serão multados com valores que variam de R$ 2 mil até R$ 1,5 milhão.
Apesar de Boa Vista estar entre as 10 cidades com melhor combate ao mosquito Aedes aegypti, a prefeita Teresa Surita reforça que não se pode baixar a guarda. “Esse trabalho não pode parar só porque estamos numa posição favorável. Já estamos trabalhando com a população há seis meses e vamos dar continuidade. Tão importante quanto o agente estar nas ruas é as pessoas se conscientizarem que a maior incidência de criadouros está dentro de casa”, reforçou a prefeita que participou da mobilização nos bairros.
A principal concentração aconteceu às 8 h na escola municipal Luiz Canará. O local foi ponto de encontro entre as equipes do Exército, Prefeitura e demais voluntários. Presente na ação, o general Algacir Polsin reforçou a importância da união entre os poderes. “Toda população precisa estar engajada nesse esforço comum, conjunto, em combater o mosquito, não existe nenhum órgão que individualmente consiga fazer isso. Estamos trabalhando muito em Roraima e esperamos que os resultados venham com a conscientização da população”.
A ação aconteceu nos bairros Santa Luzia, União, Liberdade, Centro, Caranã, Senador Hélio Campos, Nova Cidade e Santa Teresa. Durante as visitas, os agentes de endemias identificaram e eliminaram os focos do inseto. O Exército Brasileiro entrou nesta guerra com 1.831 militares. E Base Aérea de Boa Vista enviou 400. Todos se empenharam na entrega de panfletos e orientações nas casas.
Quem recebeu as equipes, logo se admirou com a seriedade do trabalho em conjunto. As equipes entraram em várias casas, muitas estavam com o quintal limpo, sem foco do mosquito. Elas receberam o adesivo de livres do Aedes aegypti. Já outras casas estavam com os quintais sujos, com mato e lixo acumulado.
Seu Farnésio Araújo Rodrigues, 53 anos, é morador do bairro Caranã. Na casa dele, as equipes encontraram vários pneus velhos e embalagens plásticas espalhadas pelo quintal. Ele foi orientado sobre o perigo dos recipientes. “Vou prestar mais atenção daqui pra frente. Essas ações são importantes pra gente ter a consciência do perigo que esse mosquito representa. São três doenças que ele transmite, é um risco muito grande”, disse.
A casa do cantor Eliakin Rufino, no bairro Centro, recebeu o selo livre de Aedes Aegypti. "Quem mora na beira do rio, a preocupação é bem maior. Infelizmente a população ainda é bem deseducada para essa questão ambiental. Aqui na beira do rio se encontra todo o tipo de lixo que vem pela água, latas, garrafas pet, pneus. Eu tento manter limpo, embora seja uma luta desigual", comentou.
Medida Provisória
De acordo com dados do Ministério da Saúde, Boa Vista hoje está em uma situação favorável em relação ao Aedes aegypti, se comparado a outras capitais. O índice de infestação do mosquito é de 0,04%, o que coloca a capital de Roraima entre as dez cidades brasileiras que mais combatem o mosquito. Ainda assim, o trabalho deve continuar ao decorrer do ano.
Nesta etapa da mobilização, a Prefeitura de Boa Vista tomou como base a Medida Provisória nº 712, do Governo Federal, que autoriza os agentes entrarem nas residências que se encontram fechadas, ou em situação de abandono. E por sua vez, a prefeita Teresa Surita assinou o decreto que autoriza a vistoria nos imóveis que se encontram nessa situação em Boa Vista.