Cidadania

Dia da Síndrome de Down: Educação inclusiva em Boa Vista garante socialização de alunos

Aqui todas as crianças são tratadas de igual para igual.

Por SEMUC

22/03/2016

A servidora pública Joelma Nascimento já era mãe de dois meninos quando descobriu que estava grávida da primeira filha. O tão desejado momento de ser mãe de uma menina estava prestes a acontecer. Enfim, a pequena Lorena nasceu, “a princesa da mamãe”. Aos três meses, a mãe descobriu que a pequena havia nascido com Síndrome de Down, uma alteração genética que afeta o desenvolvimento, determinando algumas características físicas e cognitivas.

O medo do desconhecido trouxe muitas dúvidas para Joelma. “Eu chorei muito. Não tinha nenhuma informação a respeito, tinha muitas dúvidas e medo. Tudo que ouvia sobre o assunto eram coisas negativas, que minha filha ia sofrer preconceito, ouvi palavras pesadas, como por exemplo, que ela era ‘mongolóide’. Isso me deixava assustada, no primeiro momento eu não sabia o que fazer”, contou Joelma.
Sete anos depois, muita coisa mudou. Mais informada de como poderia ajudar a filha a levar uma vida normal, a mãe leva a certeza que a sua pequena é como qualquer outra criança da sua idade. Hoje, Lorena é aluna do 2º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Carmem Eugênia Macaggi, no bairro Asa Branca. Ela divide a turma com outras 24 crianças.
“Lorena é uma menina muito carinhosa, muito sociável. Agora estamos trabalhando com mais força em seu processo de alfabetização, porque ela chegou com esse déficit. Ela está descobrindo as letras, as cores, as partes do corpo humano”, disse a professora Cleiriane Freitas.
Além da rotina da sala de aula, Lorena é assistida pelo atendimento especializado no horário oposto ao que estuda e é acompanhada por mais uma cuidadora e outra professora. Cristiane King é responsável pela sala de recursos multifuncionais, onde são desenvolvidas atividades lúdicas, pedagógicas e aulas de informática para alunos com qualquer dificuldade de aprendizagem. “Lorena é uma aluna muito participativa. Aqui todas as crianças são tratadas de igual para igual. Ela brinca e interage normal com os demais alunos e recebe um atendimento especializado no contra turno da aula, como uma forma de potencializar o seu aprendizado”, destacou a professora Cristiane.
Para os coleguinhas de sala de aula, a presença de Lorena é indispensável. “A gente gosta muito dela. Sentimos a falta dela quando não vem, porque gostamos muito de brincar juntas”, disse a colega Anna Luisa, de 7 anos.
Fora do âmbito escolar, Lorena tem outra ocupação, que segundo ela é o que mais gosta de fazer: “Gosto de dançar ballet”. A mãe ainda a acompanha nas sessões de fisioterapia e terapia ocupacional. “Minha filha é o melhor presente que recebi. Hoje não consigo me imaginar sem ela. Ela é meu tesouro”, garantiu Joelma.
Lorena está entre as 35 mil crianças atendidas pela Prefeitura de Boa Vista em toda a rede pública de ensino. Um dos maiores avanços na educação é que 100% das escolas localizadas na área urbana estão preparadas para o atendimento especializado, com salas de recursos multifuncionais e profissionais capacitados para atender esses alunos. Atualmente, a rede pública de ensino municipal atende 35 crianças com Síndrome de Down.