Assistência Social

Entender para informar bem: jornalistas participam de oficina de comunicação sobre a Primeira Infância

Tornar simples para a população o entendimento sobre os estudos relacionados à Primeira Infância, que compeende o período que vai da gestação até os seis anos, é cada vez mais necessário e a mídia tem um papel fundamental na disseminação desses conhecimentos.

Por SEMUC

23/03/2016

“A construção do cérebro pode ser comparada com a construção de uma casa. Numa casa, a construção começa pelo chão e pelas paredes. Depois vem o telhado e, por último, o sistema elétrico e de água são ativados. Tudo isso deve ser feito nessa sequência exata, ou seja, para levantar as paredes, é preciso antes que o chão esteja bem assentado. Para que os sistemas elétrico funcione, é preciso que as paredes já estejam erguidas.”

Esse é um trecho de uma das metáforas utilizadas pelo Instituto FrameWork para explicar de forma simples e fácil que o cérebro não está pronto quando a criança nasce, que ele se desenvolve a partir das influências do ambiente em que está inserida e as biológicas. Que o apoio dos adultos com quem convive é o chão e as paredes da casa e fortalecem o desenvolvimento.
Tornar simples para a população o entendimento sobre os estudos relacionados à Primeira Infância, que compeende o período que vai da gestação até os seis anos, é cada vez mais necessário e a mídia tem um papel fundamental na disseminação desses conhecimentos, como avalia o coordenador de comunicação da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, André Corrêa. Ele foi um dos palestrantes da Oficina de Comunicação realizada nesta quarta-feira, 16, como parte das ações do Projeto de Mobilização das Redes da Primeira Infância do Programa Família Que Acolhe.
Participaram da oficina jornalistas de diversos veículos de comunicação de Boa Vista. Os profissionais acompanharam a apresentação da pesquisa da fundação em parceria com o Ibope sobre a Primeira Infância, realizada em 2012. O estudo mostra a percepção da sociedade brasileira sobre o desenvolvimento das crianças da gestação até os seis anos.
A pesquisa aponta, por exemplo, que 51% das entrevistadas consideram que levar a criança ao pediatra regularmente e dar vacinas recomendadas é importante para o desenvolvimento da criança de 0 a 3 anos. Por outro lado, apenas 12% acham que é importante a criança nessa faixa-etária receber carinho e afeto. Os especialistas consideram que os dois aspectos são essenciais, mas a população também precisa entender isso.
Outros dados da pesquisa neste link: http://www.fmcsv.org.br/pt-br/acervo-digital/Paginas/A-vis%C3%A3o-da-sociedade-sobre-o-desenvolvimento-da-Primeira-Inf%C3%A2ncia---uma-pesquisa-FMCSV-e-Ibope.aspx
A mídia pode contribuir para tornar esse entendimento mais simples e fazer com que ele seja absorvido e colocado em prática pela sociedade, fortalecendo a causa da primeira infância, argumenta Corrêa. “O primeiro passo para que isso ocorro é o jornalista assumir que existe um distanciamento entre o que os especialistas falam e o que as pessoas entendem, ele perceber que a sociedade, muitas vezes, não vai entender o que eles está falando, da forma que está falando. Então, se ele que atingir o objetivo de informar, é importante entender pra quem está falando e como está falando. O que a gente procurou fazer nessa oficina foi trazer ferramentas de comunicação que ajudam nesse sentido”, disse.
O comunicólogo afirmou que o uso de metáforas desenvolvidas pelo Instit FrameWork, como a que foi utilizada no início da reportagem, e que teve os efeitos testados no publico brasileiro, podem ajudar a comunicação sobre a primeira infância. Mas é importante também utilizar metáforas que tenham os seus efeitos testados no público ao qual elas são direcionadas.
A oficina também teve a participação da publicitária Ana Maria Alvarez Melo, também da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, e do diretor executivo do Instituto Primeiros Anos, Marcos Davi, que coordena o Projeto de Desenvolvimento da Primeira Infância do FQA. Davi destacou a importância da participação dos jornalistas na mobilização.
“É mais um avanço que o programa faz na mobilização das pessoas que podem trabalhar em prol da primeira infância. O jornalista, a imprensa de um modo geral, é muito importante, porque tem a função de divulgar o conhecimento que se tem hoje, atingindo a sociedade como um todo. Levando a informação de que a fase mais importante do desenvolvimento humano são os seis primeiros anos”, destacou.
A jornalista Nediana Oliveira, editora do portal de notícias G1 Roraima, falou que os esclarecimentos obtidos durante a oficina vão melhorar a abordagem sobre o tema. “É um assunto complexo, mas foi passado de uma forma tão transparente, tão clara que a gente conseguiu absorver tudo. Com certeza, daqui pra frente, a gente vai ter uma nova visão sobre o que é a primeira infância, saber explicar melhor para os nossos leitores”, avaliou.
Para a produtora da TV Imperial, Elaine Marques, o entendimento e disseminação dos aspectos para o bom desenvolvimento infantil é uma responsabilidade de todos. “Como profissional, acho importante essa troca de experiência. É um assunto que requer um cuidado e a gente tem que buscar meios pra divulgar a importância dos cuidados para o desenvolvimento do bebê desde a gestação” disse.