A chegada de um filho é momento mágico na vida de uma mulher. Foi assim para a dona de casa Ana Nery Silva. Nem mesmo as complicações durante os meses de gestação tirou sua alegria pela vinda do segundo filho, Pablo Phylipi. A mãe teve diabete gestacional e o pequeno Pablo nasceu antes do previsto, com 8 meses. Ana relatou que o menino crescia e apresentava comportamentos que ela preferia acreditar serem normais, considerando o fato de ter nascido prematuro.
“Eu percebi que havia algo de diferente, mas como ele nasceu prematuro, as pessoas sempre diziam que com o tempo ele iria amadurecendo. Pablo era uma criança muito retraída, chorava muito, não deixava ninguém tocar nele, e não olhava fixo nos olhos das pessoas. Então comecei a perceber que havia algo errado”, relembrou ela.
Há pouco mais de um ano, a família desconhecia o fato de que ele poderia ter autismo. Um alerta feito pela Escola Municipal Jael da Silva Barradas fez Ana abrir os olhos para o que poderia estar acontecendo com o menino. Na época, Pablo já tinha 4 anos.. “A escola teve um papel fundamental na descoberta da doença, foi a que me orientou os passos que eu devia seguir”, contou ela. As suspeitas foram comprovadas quando veio o diagnóstico de autismo expedida por um psiquiatra, em novembro de 2014.
Pablo hoje tem 6 anos de idade e está no 2º ano do Ensino Fundamental. Quando iniciou o tratamento médico e a ter educação especializada na escola, a mãe relatou que ele não sabia sequer falar. Há um ano, o menino já desenvolveu a fala, sabe todo o alfabeto, escreve os dois primeiros nomes, consegue identificar cores e interage mais com as pessoas.
“Foi com o acompanhamento na Sala de Recurso Multifuncional que meu filho apresentou melhora. Aprendeu muito rápido que cheguei a ficar impressionada. Porque uma criança com 4 anos que não conseguia falar, em pouco tempo desenvolver as principais habilidades, é de admirar”, contou a mãe, orgulhosa.
Muitas famílias hoje vivem o mesmo dilema de Ana, mas quando se tem o apoio da escola, tudo fica mais fácil. O Autismo na infância é mais comum do que se imagina. Família e escola devem ficar atentas aos indícios. Segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja aproximadamente 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Somente no Brasil, são mais de 2 milhões de casos estimados. É na escola que as crianças começam a ter um contato maior com a realidade, encontram diferentes tipos de pessoas e aprendem a lidar com as diferenças.
Município promovendo a Educação Inclusiva
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Smec) desenvolve suas ações com base na Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008). Atualmente, a rede municipal de ensino atende a demanda de 476 alunos com algum tipo de deficiência ou dificuldade de aprendizagem, destas, 50 são diagnosticadas com autismo.
Na sala de aula, eles têm atendimento igualitário, porém, os alunos com certa limitação são acompanhados por um cuidador escolar e as crianças surdas contam com o serviço de professor bilíngue. No horário oposto, eles são atendidos nas Salas de Recurso Multifuncional, pelos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Há casos de alunos que necessitam de acompanhamento integral. Eles são encaminhados para o Centro Municipal Integrado de Educação Especial. O local dispõe de diversas atividades pedagógicas e acompanhamento de profissionais como psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogo e assistente social.