Cultura

Dia do Músico - Boa Vista é um verdadeiro polo musical de transformação sociocultural

Em Boa Vista, a música é tratada não apenas como arte e entretenimento, mas também como uma verdadeira ferramenta de transformação social.

Por Fábio Cavalcante

22/11/2018

Serginho Barros - presidente do IBVM

Alexandre Mafra - aluno do coral ArtCanto

Alexandre Trovão - regente do coral ArtCanto

O dia 22 de novembro é a data especial em que se comemora o Dia do Músico, por ser também a data da padroeira dessa classe artística, Santa Cecília. E em matéria de produção cultural voltada ao campo dos sons e da performance, Boa Vista é um verdadeiro polo onde se concentra uma diversidade de projetos como orquestras, corais, grupos instrumentais e muitos outros, tudo amplo apoio da Prefeitura de Boa Vista.

Hoje o município conta com a parceria firmada com o Instituto Boa Vista de Música (IBVM), que além de colaborar com oficinas e workshops de musicalização junto aos projetos sociais – Família que Acolhe , Dedo Verde , Crescer , ArtCanto e o Coral do Servidor – , também mantém seus próprios projetos, como as Orquestras de Violões, de Flautas, de Câmara, Infantojuvenil e bandas como Realce, Municipal e Infantojuvenil.

Os projetos do IBVM, em parceria com a Prefeitura de Boa Vista, objetivam trabalhar o caráter do indivíduo em sua essência (foto: Andrezza Mariot)

Com fins de difundir a cultura musical, o IBVM, em parceria com a prefeitura, promove durante todo o ano eventos como Igarapé Musical , Novembro da Música – que é composto pela Semana da Música , Festival Internacional de Violões da Floresta Amazônica e o IBVM Jazz Festival e, mais recentemente, o Ciclo das Quintas , no Teatro Municipal. Tudo isso para promover construção social e trabalhar diretamente o caráter de cada indivíduo.

“A música é uma informação orientadora, uma ferramenta que possibilita as pessoas a terem uma percepção de sua própria existência através de uma consciência física, mental, intelectual e espiritual. E assim é possível ter uma melhor qualidade de vida para se construir um mundo melhor, esse que é nosso lema aqui do instituto”, afirmou Serginho Barros, presidente do IBVM.

Transformação social

Há música nos principais projetos sociais da Prefeitura de Boa Vista. O Coral ArtCanto, por exemplo, há 16 anos atende jovens com idades de 10 a 17 anos, a maioria em situação de vulnerabilidade social. Há cinco anos, Alexandre Mafra, de 18 anos, participa do coral e todas as semanas participa das atividades do projeto, vindo de sua casa no conjunto Pérolas do Rio Branco. Para ele, a música só melhorou sua vida.

“Sou muito feliz por fazer parte do ArtCanto. Esse coral me trouxe muitos benefícios, como fazer parte de um importante projeto social, me fez gostar mais de música, que antes não gostava muito. Pois a música não é só cantar, mas também ler partituras, tocar um instrumento”.

Para o regente do coral ArtCanto, Alexandre Trovão, os benefícios de se fazer parte de um projeto como este são vastos. “Nosso público-alvo está em risco de vulnerabilidade social. Na verdade, a gente não os prepara apenas para a música, mas para a vida. Eles têm aqui, além da técnica vocal, o preparo para uma entrevista de emprego, para falar e se portar muito bem. Temos o quesito disciplina, horário, postura, acompanhamento de pedagogos, assistentes sociais, psicólogos, além da música que é nossa atividade meio”.

Coral ArtCanto, na edição passada do Natal da Paz (foto: Fernando Teixeira)

Fortalecimento de vínculos familiares

A Prefeitura de Boa Vista tem investido bastante para que haja mais qualidade de vida para quem é atendido pelos projetos sociais. Dessa forma, promove parcerias importantes como a firmada entre IBVM e o Família Que Acolhe, para contribuir com o desenvolvimento intelectual, psicológico social e cognitivo da criança. Dessa forma, as mães do programa recebem técnicas de musicalização infantil, que auxiliam no trato à criança, principalmente para acalmá-las por meio de músicas.

Musicalização para bebês, no Família Que Acolhe (foto: Andrezza Mariot)

“O músico trabalha com frequências, com uma matéria prima sutil que não se vê, mas que ela está aí. E elas podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal. O músico, então, deve ter essa consciência e responsabilidade para que fim ele vai usar essa matéria prima, essa ferramenta de transformação que é a música”, ressaltou Serginho Barros.

Coral do Servidor, idealizado na gestão da prefeita Teresa Surita (foto: Igorh Martins)

Coral do projeto Cabelos de Prata (foto: Fernando Teixeira)

Aulas de música no projeto Dedo Verde (fotos: Fernando Teixeira)