Agricultura

Comunidades Indígenas melhoram renda e alimentação com Casas de Farinha

A família e os amigos do seu Manduca se reúnem para fabricar a farinha. A meta é aumentar a estrutura para produzir mais.

Por Emanuele Pasqualotto

10/12/2018

A farinha, um dos principais alimentos do povo indígena e feita à base de mandioca, possui um grande valor histórico e até hoje é produzida de forma artesanal na Comunidade Indígena do Milho, localizada na área rural de Boa Vista. Isso graças ao apoio da prefeita Teresa Surita, que com um olhar especial à cultura indígena, entregou em março deste ano estruturas completas para a instalação de Casas de farinha em todas as comunidades.

A Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAI) coordena a execução do projeto e, paralelo a este, executa também o projeto Culturas de Inverno, que prevê o plantio da matéria prima para a fabricação da farinha, a mandioca. O primeiro tuxaua da Comunidade do Milho, Manduca Tavares Neto, conta que já é uma tradição a fabricação da farinha na comunidade.

A fabricação da farinha complementa a renda. Nós somos 59 pais de famílias, totalizando 335 pessoas. Então, 50% da produção nós temos conseguido para manter nossas famílias. A prefeitura tem ajudado bastante. Tem sido parceira da comunidade com a Casa de farinha, insumos e principalmente a parte de mecanização. Estamos satisfeitos e queremos dar continuidade”, enfatizou .

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O técnico agrícola da SMAI, Ariosto Brito, acompanha os dois projetos e comentou que as casas de farinha são um passo muito importante para um resgate, acima de tudo, de uma tradição das comunidades. A prefeitura, preocupada com a situação, implantou as Casas de farinha e o projeto do plantio de mandioca, para que se tenha a matéria prima e possa ajuda-los a produzirem sua própria farinha nas comunidades”, disse.

Ariosto Brito – técnico agrícola da Smai

Produção – “ Seu Manduca”, como é conhecido, tem uma equipe de peso quando se fala em fabricar a farinha. A estrutura instalada tem capacidade para fabricar mais de 200kg de farinha por semana.  Segundo Ramiro Manoel Tavares, tuxaua substituto, os homens ficam com a parte mais “pesada”, que inclui colher a mandioca, lavar, descascar e ralar até ela virar a massa, que depois passa pela prensa onde toda a umidade é retirada para que possa ser peneirada.

Manduca Tavares – Tuxaua da Comunidade do Milho

Há uma diferença na fabricação da farinha, com e sem a chamada “puba”, que é a mandioca transformada em uma massa e que descansa de um dia para o outro para ser misturada na mandioca que foi colhida e ralada no mesmo dia. Depois de feita toda essa mistura, ela vai para a peneira, onde o trabalho fica por conta das mulheres. E o que lá foi separado vai para o “forno”, como são chamados os tachos utilizados em cima de uma estrutura de cimento e que é alimentado a lenha.

Segundo as mulheres, a temperatura do forno deve estar na medida certa e, inicialmente, o forno é escaldado para depois a farinha ser torrada. Neste momento a atenção é redobrada para não desandar a receita.  O resultado é um alimento saboroso e que complementa a alimentação das famílias indígenas e também a renda familiar na comunidade.