Social

Primeira infância em Boa Vista auxilia no desenvolvimento de crianças com espectro autista

Boa Vista é considerada a capital da primeira infância, por contar com políticas públicas que beneficiam o desenvolvimento da criança.

Por SEMUC

07/02/2020

"Hoje percebo que meu filho mudou bastante, porque ele tem um relacionamento melhor com as outras crianças", relata Fernando, pai de Moisés, ao se referir da evolução que o filho autista teve após ingressar em uma das escolas da rede municipal de Boa Vista, depois da chegada dele e de sua família em Roraima.

Fernando e a esposa Caroline entraram no Brasil em direção ao município de Pacaraima, onde pegaram uma carona para Boa Vista em busca da vida digna que perderam em seu país. Após três meses a situação mudou para a família. Conseguiram abrigo e encontraram na rede municipal de educação a oportunidade de dar para a infância de Moisés um desenvolvimento adequado.
Moisés Fernando, de 7 anos, é aluno da Escola Municipal Edsonina de Barros Villa há dois anos, escola que de acordo com o observatório de Boa Vista, está entre as 105 unidades que atendem aos alunos da rede municipal e que integram a primeira infância. Fernando afirma que o comportamento de seu filho mudou quando diz que antes ele era recluso.
“Vivia em seu próprio mundo”. Apenas um mês depois de ter começado a frequentar a escola municipal, Moisés passava a interagir de forma mais intensa com as pessoas ao seu redor, afinal, não foi difícil a integração do filho no novo espaço: “ele não sentiu dificuldade na adaptação, e ele recebe um atendimento bom tanto na escola, quanto nos postos de saúde”.
Boa Vista é considerada a capital da primeira infância, por contar com políticas públicas que beneficiam o desenvolvimento da criança. De acordo com a psicóloga Elane Florêncio, a escola é o segundo meio social da criança, que tem influência direta e resultados reais na evolução do indivíduo. “Ela vai aprender sobre regras, limites, rotinas, de uma forma bem mais intensa do que em casa”. A psicóloga ressalta, ainda, que é importante não tratar essas crianças de uma forma diferente das outras, pois são tão capazes de aprender quanto.
Além da primeira infância em Boa Vista englobar a escola, ela compreende também o entretenimento: as praças contam com brinquedos interativos, que de maneira recorrente, Moisés também frequenta. “Ele pede para ir brincar, principalmente na praça que tem os jacarés”, afirma Fernando. De acordo com a psicóloga, estes espaços interativos também contribuem para a socialização da criança autista, cabendo aos pais incentivarem a ida da criança ao espaço.
“É uma brincadeira onde a criança tem que criar. Tem uma pesquisa que mostra que as crianças em um balanço, em uma gangorra, ficam pouco tempo […]. Agora quando a criança vai em um brinquedo interativo, ela sempre está criando, sendo sempre um desafio o que ela vai fazer, a tomada de decisão, o que ela vai desenvolver durante essa relação” afirma Teresa Surita, em evento de lançamento do Observatório de Boa Vista.
De acordo com dados do próprio Observatório, desde 2013 a capital vem tendo como prioridade a política pública voltada as crianças, mesmo antes de virar lei em 2016, sendo atualmente reconhecida como a capital da primeira infância, que conta com parcerias ao redor do mundo. Moisés, assim como as outras crianças que residem em Boa Vista, é o foco da lei sancionada em 2016, que busca transformá-los em adultos saudáveis e mais preparados para o convívio em sociedade.
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