O Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista da Rede Municipal de Ensino (CETEA) concluiu nesta quarta-feira, 2, a primeira edição do ExpoTEA. O evento integra a programação da 3ª Semana Municipal de Conscientização do Autismo e contou com mais de 200 trabalhos artísticos produzidos pelos alunos ao longo do ano, além de atividades interativas com os pais, mães e responsáveis.
Foram ofertadas cinco oficinas temáticas, abordando pintura, jogos e outras atividades lúdicas que auxiliam no desenvolvimento das funções cognitivas e motoras das crianças. As dinâmicas contribuíram para fortalecer os laços afetivos entre os estudantes e seus familiares. Durante o evento, as salas do centro e a área externa foram transformadas em cenários imersivos, proporcionando experiências pedagógicas e recreativas envolventes.
A diretora do CETEA, Sandra Nobre, destacou que ExpoTEA se encerra em uma data muito especial: 2 de Abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo. “Sem dúvida, é um dia para celebrarmos essas crianças e suas famílias, reconhecendo cada conquista, avanço e reforçando a importância da inclusão e do respeito. O ExpoTEA é um espaço para mostrar o potencial de cada aluno, fortalecer os laços com os responsáveis e sensibilizar a sociedade sobre o autismo”, afirmou.
Pais relatam avanços no desenvolvimento das crianças
Os atendimentos oferecidos pelo CETEA têm promovido avanços significativos no desenvolvimento das crianças. Para Rosilene Teixeira Guimarães, professora e mãe de Arthur, de 7 anos, que é atendido há um ano no centro, as melhorias na interação social do filho são visíveis.
“No início, ele tinha dificuldade em compartilhar e interagir com os colegas. Hoje, ele já divide brinquedos, participa das atividades em grupo e demonstra avanços significativos na interação. Além disso, os profissionais têm sido essenciais nesse processo, especialmente no suporte à questão psicológica. Ele tinha muita dificuldade em lidar com o 'não'. Mas, com o apoio da equipe do centro, melhorou bastante. Para mim, como mãe, também tem sido uma experiência enriquecedora, pois recebo orientações e apoio, o que faz toda a diferença”, destacou.
Ida Drumond, assistente social e mãe de Miguel Afonso, de 6 anos, também observou avanços importantes. “Ele evoluiu muito. Antes, tinha dificuldade em esperar sua vez e interagir com outras crianças. Agora, ele entende os momentos de cada um e fica muito feliz nos dias de atendimento. Ele acorda cedo, animado para vir. Esse suporte faz toda a diferença para ele e para nós, pais. Sabemos que terapias e recursos especializados têm custos elevados e ter um atendimento público de qualidade nos proporciona segurança e tranquilidade”, afirmou.
Para Benedito Pereira, operador de máquinas e pai de Diego Simão, de 8 anos, os atendimentos do CETEA foram essenciais para a evolução do filho. “No começo, nós não sabíamos como lidar com certas dificuldades do Diego. Agora, ele está mais comunicativo, interage melhor com os colegas, brinca mais e está muito mais envolvido socialmente. Para a família, é gratificante ver essa evolução. Aqui, juntos aprendemos muito”, ressaltou.
Atendimento especializado
O CETEA atende estudantes matriculados na Rede Municipal de Ensino com idades entre 2 e 12 anos. A unidade conta com uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, educadores físicos, pedagogos, arte-educadores e assistentes sociais. Os alunos com laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) são encaminhados pelas escolas municipais para atendimento especializado.
Para fortalecer esse trabalho, a Prefeitura de Boa Vista adquiriu, no início deste ano, 1.929 materiais pedagógicos e terapêuticos, distribuídos entre o CETEA e o Centro Municipal Integrado de Educação Especial (CMIE). Entre os itens estão jogos educativos, brinquedos interativos, equipamentos para fisioterapia e comunicação alternativa.