Mulheres atuam na linha de frente da organização e fiscalização do trânsito de Boa Vista
Trajetórias que humanizam e inspiram o dia a dia nas ruas da capital
Por Ágata Macedo
07/03/2026 - Última atualização há 22 horas
Superação, força e coragem: estas são as características que marcam a história das mulheres que integram a Superintendência Municipal de Trânsito de Boa Vista (SMTRAN). Elas contribuem para tornar a mobilidade e o dia a dia dos condutores da cidade mais organizados.
Com trajetórias marcantes que acompanham a história da própria instituição, mulheres como Ângela Maria, de 42 anos, mostram o diferencial na corporação. Há quase 21 anos na SMTRAN, a agente é mãe de duas filhas, possui diversas formações acadêmicas e se classificou em 1º lugar no concurso para ingressar na superintendência.
Dos 93 agentes de trânsito, 24 são mulheres. Em um espaço ocupado majoritariamente por homens, Ângela reconhece a importância do trabalho e incentiva outras a seguirem seus sonhos.
“Nós somos mais tranquilas, conseguimos compreender o todo, atuamos com inteligência e, assim, fazemos um bom trabalho, com zelo e dedicação. Eu me sinto uma pessoa realizada, amo o que faço. Quando visto essa farda, sei que eu estou contribuindo com um trânsito mais seguro”, afirmou.
Histórias que inspiram
Superação e conquistas também fazem parte da instituição, como é o caso das agentes Francieulaia Leão, de 49 anos, e Karolini Cardoso, de 42, que enfrentaram desafios, mas, com garra e coragem, superaram e continuam contribuindo com a segurança viária do município.
A agente F. Leão, que sempre trabalhou na fiscalização, passou por experiências delicadas na vida pessoal e profissional. Diagnosticada com câncer em 2019, ela conta que recebeu apoio da administração e dos colegas de trabalho durante todo o processo.
“Não foi fácil, eu precisei me ausentar do estado para fazer o tratamento, mas graças a Deus, consegui superar. Agora, voltei para a rua, é onde eu me sinto melhor, aqui na fiscalização. Sinto gratidão e orgulho. Eu gosto muito da minha farda e do meu trabalho” afirmou.
Mesmo enfrentando desafios no dia a dia, ela incentiva outras mulheres. “Hoje em dia, a gente sabe que todas podem chegar aonde quiserem. Então, não desistam dos sonhos que tiverem, porque o que a gente quer, a gente consegue”, disse.
Em 2025, Karolini Cardoso participou do curso de pilotagem ostensiva da Guarda Civil Municipal de Boa Vista (GCM) e, dos 45 alunos de diversas forças de segurança pública, ficou em 1º lugar entre as mulheres e em 2º na classificação geral. Há 20 anos na instituição, ela relembra os desafios que enfrentou ao longo da carreira, especialmente por ser mulher.
“Só foram duas pessoas da minha instituição (SMTRAN) selecionadas para essa formação. Muitos não acreditaram, falaram que eu não tinha carcaça para fazer e concluir o curso. Mas eu fui forte, firme e mostrei que nós também temos garra e somos determinadas, então, eu concluí”, enfatizou.
Karolini reforçou que todas que desejam chegar em algum lugar, devem lutar para conseguir. “Você precisa tentar, porque, às vezes, a gente não faz com receio, por medo, achando que vai ser difícil, mas a gente vai superando a cada dia”, destacou.
Liderança feminina
Atualmente, a SMTRAN tem duas agentes em cargos de chefia. A superintendente municipal de Trânsito, Ednalva Freitas, está na corporação há 17 anos e falou sobre a grandeza do trabalho feminino.
“A mulher tem postura, sensibilidade e empatia para lidar com as situações, mas algumas pessoas, ao verem mulheres na liderança, ainda pensam que elas não vão conseguir. No entanto, temos mostrado nosso diferencial, com muita coerência e responsabilidade, sem deixar que as coisas fiquem distorcidas”, afirmou.
Neurimar Macedo, agente de trânsito há 20 anos e atualmente secretária-adjunta de Mobilidade, reforçou a contribuição das mulheres na Superintendência Municipal de Trânsito.
“Nós podemos ocupar qualquer espaço dentro da sociedade, desde que busquemos os meios e nos capacitemos. É um momento desafiador, mas também muito feliz, e eu me sinto realizada. Já passei pelo setor de multas, pelo monitoramento, pela corregedoria e pela fiscalização. Trabalhei em cada área, conhecendo de perto as necessidades dos departamentos. Então é uma honra e um orgulho. É extremamente importante mostrar a força e a capacidade da mulher como gestora”, concluiu.