Agricultura

Mulheres que cultivam: a força das agricultoras familiares na zona rural e comunidades indígenas de Boa Vista

Desde a implantação do Plano Municipal do Desenvolvimento do Agronegócio, o apoio institucional alcançou 757 famílias chefiadas por mulheres

Por Jaqueline Pontes

há 5 horas - Última atualização há 5 horas

Com papel essencial no fortalecimento da agricultura familiar, a força feminina marca presença nas lavouras todos os dias do ano, unindo cuidado, luta, dedicação e resiliência no campo. Em Boa Vista, seja na zona rural ou nas comunidades indígenas do município, mulheres plantam, colhem e geram renda, garantindo sustento e dignidade às suas famílias.

Todo esse trabalho é feito com políticas públicas implantadas pela Prefeitura de Boa Vista. Até o momento, já foram investidos R$ 77 milhões no fortalecimento da agricultura familiar da capital. Para 2026, a previsão é de mais R$ 43 milhões destinados a novos investimentos no setor, ampliando o apoio aos produtores e produtoras, impulsionando o desenvolvimento rural.

 

Parceria com a prefeitura impulsiona trabalho no campo

 

Força que vem da terra

No auge da pandemia, causada pelo Coronavírus, em 2020, Antônia Mourão saiu da cidade e foi para o PA Nova Amazônia I, zona rural de Boa Vista, buscando segurança e tranquilidade, já que estava em isolamento, respeitando as regras de prevenção. O tempo passou, a transmissibilidade do vírus caiu, a vacina chegou, mas Antônia e o esposo, Antônio Pacheco, já estavam habituados à rotina no campo.

 

Antônia trabalha com diversas culturas

 

“A gente começou plantando alguns pés de quiabo, produzindo bem pouco mesmo e agora, estamos ampliado. Hoje, cultivamos pimenta, quiabo, maxixe, abobrinha, batata-doce, milho, banana, macaxeira, goiaba, peixe, galinha e ovos. Trabalhar no campo exige força física e é preciso estar disposto a arregaçar as mangas. Tudo é fruto de muito suor, mas eu não me vejo mais fora daqui”, disse.

 

Frutas estão entre culturas produzidas

 

Guardando tradição

Nas comunidades indígenas, o papel feminino na agricultura é ainda mais simbólico. Além de cultivar a terra, as mulheres mantêm vivas técnicas tradicionais de plantio, cultivo e preparo, transmitidas de geração para geração. Jucirene Souza mora na comunidade Mauixe, região do Baixo São Marcos, com o esposo e filhos. Há 3 anos, a família decidiu intensificar o cultivo de mandioca para produção de farinha.

 

Jucirene tem ampliado o cultivo de mandioca

 

“Trabalho como merendeira em uma escola e aqui na roça com a minha família. Contamos com o sistema de irrigação da prefeitura para conseguir produzir mandioca o ano inteiro e assim não parar a produção de farinha. É uma correria sem fim, mas estamos conseguindo vencer e já estamos planejando ampliar a roça. Vamos aumentar o tamanho da área irrigada”, contou.

 

Mandioca é utilizada na produção de farinha

 

Prefeitura é parceira

Desde a implantação do Plano Municipal do Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA), o apoio institucional alcançou 757 famílias chefiadas por mulheres. Os produtores contam com assistência técnica especializada, 149 máquinas e implementos, dentre tratores, caminhões, escavadeiras, drones agrícolas, colheitadeiras, patrola, dentre outros.

 

Frutas são produzidas na zona rural da capital

 

Jornada dupla

Entre hortaliças, mandioca, frutas e legumes, a rotina das mulheres começa cedo. Antes mesmo do sol nascer, a maioria já está de pé, iniciando a dupla jornada, pois cuidar da produção e da família exige disciplina, coragem e capacidade de adaptação. Ter consciência de que o alimento que chega à mesa passa por mãos femininas que não desistem é reconhecimento à força que sustenta o campo.

 

Mulheres se dividem entre cuidados com a família e trabalho no campo