Assistência Social

Projetos Sociais: Quando a inclusão muda o rumo de uma história

Entre desafios e conquistas, Maria Vitória, de 17 anos, compartilha o caminho construído com apoio da Prefeitura de Boa Vista

Por Lucas Aires

há 1 hora - Última atualização há 1 hora

A linha que passava pelo tecido, aos poucos, foi tecendo uma nova história. Quando Maria Vitória entrou no Projeto Crescer e, pela primeira vez, segurou uma agulha, não imaginava que também estava costurando os próprios sonhos. Aos 17 anos, ela olha para trás e vê um tear de oportunidades: o que começou como uma curiosidade na oficina de Corte e Costura se transformou em um estágio na área administrativa, mudando completamente a forma como enxerga o próprio futuro.

Antes de chegar ao Crescer, ela deu os primeiros passos em outro projeto da Prefeitura de Boa Vista. Em 2017, participou do Conviver, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro União. Depois, recebeu convites para integrar o Dedo Verde e o Artcanto, mas optou pelo Crescer em 2024, por meio da irmã. “Ela participava na época que o Crescer era no Calungá. Foi assim que eu descobri esse universo. Eu nem imaginava que existiam projetos sociais”.

 

"Já fiz bolsa, tapete, pochete, lacinho, turbante. Até vendi os produtos na AgroBV", contou Maria sobre o aprendizado e a oportunidade

 

Foi na oficina de Corte e Costura que Maria encontrou um novo mundo. Ela destacou a paciência e o cuidado dos ensinamentos por parte dos servidores. “Eles me guiaram desde o começo, passo a passo. Eu não sabia costurar, não sabia fazer nada. E olha só: já fiz bolsa, tapete, pochete, lacinho, turbante. Até vendi os produtos na AgroBV”.

Essa base foi apenas o início. Em 2025, uma nova porta se abriu: ela conquistou uma bolsa no Programa Rumo Certo, também da prefeitura, e ingressou no setor administrativo do próprio Crescer. “Eu deixei de enxergar como integrante e passei a me ver como estagiária mesmo. Foi uma ‘virada de chave’. Eu não sabia ligar um computador. Uma servidora antiga, com toda a paciência, ensinou os primeiros passos e hoje eu mesma faço declarações e ofícios para outros departamentos”.

 

 

Maria destacou o quanto a visão sobre o projeto mudou. “Quando somos integrantes, vemos de um jeito. Mas, pelo lado da gerência, é totalmente diferente. Eles dedicam muito tempo para preparar cada palestra, cada evento. É difícil. Exige esforço, mas eu passei a enxergar todo o trabalho que há por trás”.

A chegada ao Rumo Certo foi motivo de pura emoção. “O programa coloca a gente para estagiar em vários lugares, mas nunca imaginei que um projeto pudesse estagiar dentro do outro projeto. Quando soube que seria aqui mesmo, pulei de alegria e abracei a ‘Rosinha’ [Roseneide Rodrigues, gerente do Crescer]. Foi uma felicidade genuína”.

 

"Uma servidora antiga, com toda a paciência, ensinou os primeiros passos e hoje eu mesma faço declarações e ofícios para outros departamentos", disse Maria

 

Maria Vitória ainda ressalta que as lições foram além das tarefas técnicas. “Mudou muita coisa na minha vida. Aprendi a lidar com as pessoas, a escutar os pais que vêm até aqui resolver alguma situação. Isso me proporcionou maturidade, totalmente diferente da visão que eu tinha quando era apenas integrante”.

Conselho para as futuras gerações

Ao olhar para trás e ver o quanto cresceu, Maria deixa um recado especial para os jovens que estão chegando ao Crescer, talvez cheios de dúvidas ou receios. “Aproveitem cada oportunidade, pois ela pode não aparecer duas vezes. Todos os dias chegam solicitações de inclusão do CREAS e dos CRAS para trazer novos integrantes para cá e muita gente deixa passar, seja por medo, por vergonha ou por achar que não é para si”.

*Supervisionado por Shirleia Rios*