Educação

Alunos do Parlamento BV Mirim vivenciam cultura indígena em escola na Serra da Moça

Os integrantes visitaram a Escola Municipal Vovô Jandico da Silva e tiveram a oportunidade de trocar experiências e conhecer a rotina escolar da comunidade

Por Marcus Miranda

há 1 hora - Última atualização há 1 hora

Uma tarde de aprendizado na prática, troca de experiências e conexão com as raízes culturais de Roraima. Assim foi a visita dos alunos que integram o Parlamento BV Mirim à Escola Municipal Indígena Vovô Jandico da Silva, localizada na Serra da Moça, na última quinta-feira, 23.

No mês em que se celebra os povos indígenas, a ação incluiu uma série de atividades que tem como principal objetivo promover a valorização dessa cultura

A atividade integra o projeto “Parlamento em Campo: Vivência com Povos Originários”, que promove uma imersão educativa voltada à valorização da diversidade cultural e à formação cidadã dos estudantes, iniciativa que nasceu na Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes.

Vivência além da sala de aula

Durante a programação, os 15 integrantes do parlamento tiveram contato direto com a rotina da escola indígena. A experiência incluiu rodas de conversa, momentos de escuta ativa e troca de conhecimentos com os alunos da comunidade.

Os alunos conheceram um pouco da rotina escolar da unidade, visitando salas, espaços externos e trocando experiências

Além disso, os estudantes visitaram espaços importantes da unidade, como salas de aula, refeitório, a rocinha — onde são cultivados alimentos como macaxeira, batata-doce, pimenta, abóbora e feijão — e a horta escolar, com produção de cebolinha, couve e coentro.

Alimentos típicos consumidos nas comunidades, como bolo de macaxeira, beiju e damurida estiveram a disposição dos visitantes para uma experiência gastronômica 

A programação também contou com degustação de comidas típicas, como damurida, beiju e bolo de macaxeira, além de um momento especial de pintura corporal com grafismos indígenas, que carregam significados culturais importantes. O encerramento foi marcado pela tradicional dança do Parixara, proporcionando uma experiência ainda mais imersiva.

Formação cidadã e valorização cultural

"A escola tem o papel de resgatar essa valorização, mostrando a importância dos costumes indígenas na formação de cidadãos conscientes e respeitosos com a diversidade”, reforçou Edinar 

Para a gestora da Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes, Edinar Sousa, a iniciativa amplia o aprendizado e fortalece a formação dos alunos. “Essa vivência vem para consolidar tudo o que eles aprendem em sala de aula. É uma oportunidade de conhecer, na prática, a realidade de uma comunidade indígena e refletir sobre a educação ofertada tanto na zona urbana quanto nas escolas indígenas, que também têm um padrão de excelência”, destacou.

No local, a paisagem encanta e possibilita mais proximidade com a natureza

Ela reforçou ainda a importância de aproximar os alunos dessa realidade. “Nosso estado é culturalmente muito rico, mas, com o tempo, algumas referências podem se perder. A escola tem o papel de resgatar essa valorização, mostrando a importância dos costumes indígenas na formação de cidadãos conscientes e respeitosos com a diversidade”, completou.

Troca de saberes e conexão com as raízes

"Aqui, eles têm contato com a natureza e conseguem se conectar com suas raízes, ao mesmo tempo em que compartilham experiências", destacou Áurea Peixoto, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Vovô Jandico da Silva

A coordenadora pedagógica da Escola Municipal Indígena Vovô Jandico da Silva, Áurea Peixoto, destacou o impacto da atividade para ambos os lados. “Essa troca é muito importante, tanto para os alunos daqui quanto para os da capital. Aqui, eles têm contato com a natureza e conseguem se conectar com suas raízes, ao mesmo tempo em que compartilham experiências”, afirmou.

Experiência que marca

"A gente aprende sobre a cultura, a língua materna e como funciona a escola. Tudo isso faz com que a gente entenda melhor essa realidade”, reforçou a presidente do parlamento, Bruna Rafaele

Para os alunos, a visita foi marcante. A presidente do Parlamento BV Mirim, Bruna Rafaele, ressaltou o quanto a experiência contribuiu para ampliar o olhar sobre a cultura indígena. "Eu achei muito importante essa vivência, principalmente para quem não é indígena. A gente aprende sobre a cultura, a língua materna e como funciona a escola. Tudo isso faz com que a gente entenda melhor essa realidade”, contou.

"É uma forma de aprenderem sobre a nossa cultura e de a gente aprender com eles também", reforçou a aluna Eduarda, da Escola Municipal Vovô Jandico da Silva

Já a aluna Eduarda Manoel Carlos destacou a troca entre os estudantes. “Foi muito legal receber os visitantes aqui. É uma forma de aprenderem sobre a nossa cultura e de a gente aprender com eles também. A gente se divertiu muito”, disse.

Conhecimento que se multiplica

Como desdobramento da atividade, os estudantes irão produzir relatórios, cartazes e apresentações para compartilhar a experiência com a comunidade escolar. A proposta é que atuem como multiplicadores desse conhecimento, ampliando o alcance da iniciativa.

A programação foi encerrada com a tradicional dança do Parixara

O Parlamento BV Mirim segue com uma programação pedagógica ao longo do mandato, com duração de dois anos. A iniciativa busca estimular o protagonismo estudantil, o respeito à diversidade e a construção de uma sociedade mais consciente e inclusiva.

Respeito às tradições indígenas

Atualmente, a Rede Municipal de Ensino de Boa Vista conta com 12 escolas indígenas, que, juntas, atendem 1.015 alunos em diferentes comunidades. Essas unidades seguem o mesmo padrão de qualidade das escolas urbanas, com infraestrutura adequada, profissionais qualificados e acesso a recursos pedagógicos.

Ao mesmo tempo, as escolas respeitam e valorizam as especificidades culturais de cada povo, garantindo o ensino da língua materna, práticas tradicionais e conteúdos que dialogam com a realidade local.

Na Escola Municipal Vovó Tereza da Silva, na comunidade Darora, o Matatalab foi adaptado para os alunos reforçarem o aprendizado da língua materna (Macuxi)

Os estudantes contam com benefícios como transporte escolar, alimentação adequada à cultura das comunidades e projetos pedagógicos que fortalecem a identidade indígena. O objetivo é assegurar uma educação de qualidade, inclusiva e conectada às raízes culturais dos povos originários, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes e orgulhosos de sua história.