Prefeitura de Boa Vista promove seminário de consciência fonológica para servidores da educação
O evento segue até esta quarta-feira, 6, na Escola Municipal Nara Ney
Por Ágata Macedo
há 20 horas - Última atualização há 14 horas
Com foco estratégico na melhoria da educação, a Prefeitura de Boa Vista promove, até quarta-feira, 6, o II Seminário Municipal de Alfabetização e Letramento: Da Consciência Fonológica à Alfabetização na Idade Certa. O encontro ocorre no auditório da Escola Municipal Nara Ney e reúne gestores, coordenadores pedagógicos, professores da Educação Infantil e docentes do 1º ano do Ensino Fundamental.
Integrando as ações da Política Municipal de Alfabetização e Letramento, a iniciativa busca auxiliar professores em suas práticas pedagógicas, ao incentivar reflexões, alinhamentos e estratégias que contribuam para a qualidade do ensino. Cerca de 600 servidores participam da programação.
Francimeire Almeida, coordenadora do Núcleo de Alfabetização, destacou a relevância da consciência fonológica no processo de alfabetização infantil. Segundo ela, esta é a primeira vez que o município inclui professores da Educação Infantil na temática, valorizando essa base desde as etapas iniciais.
“A consciência fonológica consiste em a criança compreender os sons da linguagem. É entender que o grafema, ou a letra, como costumamos dizer, possui um som. Quando a criança aprende esse som e o relaciona ao grafema, passa a ter mais facilidade para decodificar e, assim, ser alfabetizada na idade certa. Por isso, incentivamos que esse trabalho comece ainda na Educação Infantil”, explicou.
A coordenadora também apresentou o texto literário da coletânea “Tecendo histórias: as infâncias e as diversidades da Amazônia”, de sua autoria. O conto foi selecionado em um concurso organizado pelo Ministério da Educação (MEC) para compor uma obra que será distribuída nas escolas públicas de todo o país.
Segundo Railene Azevedo, superintendente interina da Educação Básica, o encontro promove a troca de experiências e o aprendizado entre profissionais que atuam na alfabetização. Ela explicou que a consciência fonológica funciona como uma etapa preparatória, o primeiro degrau no processo de alfabetização.
“É nesse momento que a criança constrói as bases, os pilares. A consciência fonológica representa o despertar do cérebro para os sons. Inicialmente, ela brinca com rimas, participa de atividades de fala, escuta e contato com histórias e com o professor. Quando chega ao 1º ano, já está com o cérebro mais aguçado para os sons. Depois, avançamos para a consciência fonética, quando começa a associação direta com as letras. Por isso, este é o momento de o professor compreender seu papel e sua importância em sala de aula”, destacou.
Servidores preparados, educação de qualidade
O gestor da Escola Municipal Professor Ronilson Silva Nascimento, Marcos Silva, participou pela segunda vez do seminário e comentou sobre os avanços que a unidade pode alcançar a partir do compartilhamento de experiências entre profissionais.
“A expectativa é aprimorar o trabalho na ponta, na sala de aula, junto aos professores, para impulsionar resultados e enfrentar desafios. O primeiro seminário foi muito produtivo e trouxe aprendizados importantes. Conseguimos levar esse conhecimento para a escola e aplicá-lo com os docentes. Os alunos foram beneficiados e houve avanços significativos”, afirmou.
Professora da rede pública há 12 anos, Esdra Silva destacou seu entusiasmo em participar do seminário. “Sempre nos motivamos quando surge a oportunidade de aprender algo novo. Minha expectativa é aprimorar ainda mais minha prática pedagógica para atuar em sala de aula. Com certeza, levarei os conhecimentos adquiridos aqui para a minha rotina na escola”, relatou.
Educação integrada
A palestrante da noite, Ândrea Vieira, especialista em Processos de Alfabetização e Letramento, vinda do Rio Grande do Sul, destacou o sentimento de gratidão e responsabilidade ao participar de um evento relevante.
“Promover este encontro é reconhecer que o professor é um eterno aprendiz. No campo da alfabetização, onde os desafios se renovam a cada turma, a formação continuada se torna um espaço essencial de escuta e partilha. Quando educadores se reúnem para tratar de letramento, estão, na verdade, tecendo uma rede de apoio que sustenta uma educação mais humana, crítica e transformadora”, concluiu.