LIGA STEAM 2026 - Escola de Boa Vista é selecionada para prêmio nacional com projeto de sustentabilidade
A iniciativa consiste na construção de um telhado sustentável, feito inteiramente de garrafas pet
Por Marcus Miranda
há 10 horas
Uma garrafa PET que poderia terminar no lixo ganha um novo significado nas mãos de alunos da Escola Municipal Vovó Clara. Entre tintas, brincadeiras e descobertas, os estudantes estão aprendendo que cuidar do meio ambiente também pode ser uma forma de transformar o lugar onde vivem. É assim que o projeto “Telhado Sustentável: Transformando Garrafas PET em Proteção, Aprendizagem e Solidariedade” vem ganhando forma e levando Boa Vista para o cenário nacional.
Desenvolvida pela professora Elizângela Santos Bastos, a iniciativa foi selecionada para a segunda fase do Prêmio Nacional Liga STEAM 2026 e está entre os 150 melhores projetos do país na Categoria 1, destinada à Educação Infantil, para crianças a partir de 4 anos.
A proposta utiliza a abordagem STEAM, que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, para trabalhar conceitos de sustentabilidade, reciclagem e responsabilidade socioambiental de maneira lúdica e pedagógica. Alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o projeto também busca aproximar escola, famílias e comunidade.
Uma ideia que nasceu do calor
O projeto surgiu de uma necessidade percebida na rotina dos próprios alunos. O parquinho da escola, um dos espaços preferidos das crianças, recebia muito sol e acabava ficando quente demais para ser aproveitado durante determinados períodos do dia.
“Os alunos sempre diziam: ‘Tia, está muito quente! Eu não aguento! Vamos para a sala’. E eu sabia que o parquinho é o momento de lazer, descontração e de ser criança. Então percebemos que a necessidade era uma cobertura para aquele espaço”, explicou a professora Elizângela.
A partir daí, surgiu a ideia de construir um telhado ecológico utilizando garrafas PET. Em vez de simplesmente instalar uma cobertura convencional, a escola decidiu envolver as próprias crianças no processo, transformando a construção em uma experiência de aprendizagem.
“A gente poderia construir de maneira tradicional, com uma telha normal, mas não teríamos a participação ativa das crianças. O telhado sustentável veio justamente como uma forma de inseri-las nesse processo”, completou a professora.
Aprender fazendo
Atualmente, a escola está na segunda fase do projeto, que consiste na execução da proposta e no desenvolvimento de atividades relacionadas à sustentabilidade e à preservação ambiental.
Nesta terça-feira, 11, Dia do Estudante, os alunos participaram de uma programação especial. Entre as atividades, pintaram garrafas PET que serão utilizadas no projeto e participaram de uma dinâmica de identificação de materiais com os olhos vendados. Pelo tato, precisaram descobrir se seguravam vidro, metal, plástico, papel ou material orgânico.
No pátio, outra atividade colocou o conhecimento em prática. Diferentes resíduos foram espalhados pelo espaço e as crianças precisaram identificar cada material e colocá-lo no recipiente correspondente, aprendendo de forma divertida sobre a importância da separação correta dos resíduos.
Para a professora Elizângela, mais do que construir uma cobertura, a proposta é ajudar a formar hábitos que ultrapassem os muros da escola. “A ideia é fazer com que eles compreendam a necessidade de ter um comportamento sustentável. Não adianta simplesmente pegar o lixo. Precisamos começar pela coleta seletiva, entender como distribuir e descartar corretamente. Essa postura começa na escola, mas precisa continuar em casa, e aí entra a família como colaboradora do projeto”, afirmou.
Comunidade também participa
A arrecadação das garrafas PET conta com a participação de toda a comunidade escolar. Pais, responsáveis e funcionários estão ajudando a reunir o material que será utilizado na construção do telhado. A gestora da unidade, Laiz Furman Tomé, destaca que a sustentabilidade já faz parte de outras experiências desenvolvidas na escola e que o projeto representa a continuidade desse trabalho.
“É gratificante para nós, enquanto escola, evidenciar um projeto que é feito rotineiramente. A sustentabilidade é algo em que precisamos focar constantemente, porque, a partir dela, conseguimos construir um mundo melhor e mostrar às nossas crianças a importância de cuidar do que é nosso e de transformar objetos que iriam para o lixo em algo que beneficie a escola e elas próprias”, ressaltou.
Segundo Laiz, a unidade já desenvolveu outras ações envolvendo materiais recicláveis, como a criação de um espaço sensorial com tampinhas de garrafas PET, também construído com a participação das famílias.
A mobilização ultrapassa, inclusive, as turmas diretamente envolvidas no projeto. Poliane Roth, mãe de uma aluna, levou garrafas PET para contribuir com a campanha. “Eu acho importante participar, mesmo que não seja a turma da minha filha, porque é em prol da escola e vai ajudar todas as crianças. É muito importante trazer essa temática da sustentabilidade e do meio ambiente para elas, porque cada dia vão aprendendo não só em casa, mas também na escola”, contou.
Um aprendizado que fica
Para os pequenos, a experiência também já ganhou significado, como destacou a aluna Ayla Silva, de 6 anos. “Gostei muito das atividades hoje. Ganhei nota 10! Nosso teto vai ficar muito bonito”, disse.
Anthony Gabriel, de 6 anos, também escolheu sua parte favorita. “O que eu mais gostei de fazer foi pintar as garrafas”, contou.
Já Gael Matos, de 5 anos, pensa no resultado e no que ele vai representar para a rotina das crianças. “A gente gosta muito do parquinho, mas lá é muito quente. Com as garrafas vai ficar melhor porque vai ter sombra e a gente vai poder brincar mais”, afirmou.
Sustentabilidade que se transforma em solidariedade
A proposta também vai além dos muros da escola. As garrafas PET arrecadadas que não forem utilizadas na construção do telhado serão destinadas à Associação Missões de Amor, que utiliza o material para o envase de sabão líquido.
Dessa forma, o projeto cria uma rede que começa na escola, passa pelas famílias e alcança outras pessoas da comunidade, dando um novo destino aos materiais e ampliando o impacto da iniciativa. Para Elizângela, esse é um dos principais resultados da experiência.
“É uma aprendizagem voltada para a sustentabilidade e para a mudança de hábitos. Não é só a questão do telhado, mas a mudança de comportamento das crianças também. E saber que essa mudança pode provocar uma mudança de comportamento é o melhor de tudo”, destacou.
Sobre o Prêmio – Este ano, alunos de todo o Brasil têm de desenvolver projetos com base no seguinte tema: “Um futuro mais verde começa na escola”. O Prêmio Nacional Liga STEAM 2026 é uma iniciativa da Fundação ArcelorMittal, que reconhece e valoriza a implementação da abordagem STEAM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) nas escolas públicas brasileiras.
Criado em 2022, o prêmio tem como objetivo fomentar o desenvolvimento de projetos educacionais que integrem a abordagem STEAM a temas relevantes para a sociedade, conectando o ensino e a aprendizagem à investigação científica, à sustentabilidade e aos desafios contemporâneos vivenciados no cotidiano escolar.
Conforme o cronograma do edital do prêmio, a divulgação dos 10 projetos finalistas está prevista para o final de outubro. Já o anúncio dos vencedores deve ocorrer na primeira quinzena de novembro.