MÊS DO PATRIMÔNIO CULTURAL - Conheça alguns dos prédios históricos de Boa Vista
Ao percorrer esses espaços, é possível revisitar os capítulos que moldaram a identidade local e reforçar a importância de sua preservação para as próximas gerações.
Por Fábio Cavalcante
há 1 hora - Última atualização há 21 minutos
Agosto é o Mês do Patrimônio Cultural, dedicado à valorização da memória coletiva e dos bens que contam a trajetória de um povo. Em Boa Vista, aos 136 anos, esse reconhecimento tem uma relevância ainda maior. A capital roraimense preserva um conjunto significativo de edificações que testemunham sua formação, das primeiras ocupações à consolidação como um centro urbano moderno.
Ao percorrer esses espaços, é possível revisitar os capítulos que moldaram a identidade local e reforçar o compromisso com a preservação desse legado para as próximas gerações. Por isso, confira alguns dos prédios históricos da cidade que guardam parte dessa história:
Casarão da Família Brasil (Casa Petita Brasil)
Considerado a segunda residência propriamente construída em Boa Vista, ainda na época da Vila de Boa Vista do Rio Branco, o casarão pertenceu inicialmente ao coronel Bento Ferreira Marques Brasil. Localiza-se na atual Praça Barreto Leite, em frente à Orla Taumanan. De estilo neoclássico, a edificação teve seus materiais trazidos de Manaus por via fluvial, sendo muitos deles originários da Europa.
Em 15 de outubro de 1993, foi tombado como patrimônio histórico pela Prefeitura de Boa Vista, por meio do Decreto nº 2.614. Atualmente, é propriedade de Petita Brasil, professora, escritora, artista plástica, artesã, produtora cultural e carnavalesca. Ela também está entre os patrimônios vivos de Boa Vista.
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo
Marco histórico de Boa Vista e única igreja de estilo germânico construída na Amazônia, está ligada à formação social e religiosa do Vale do Rio Branco. Suas origens remontam a uma possível capela carmelita no século 18, consolidada no século 19 com a chegada dos franciscanos, em 1856, quando foi elevada à condição de matriz.
A paróquia foi fundada em 1892. Já em 1909, os beneditinos da Ordem de São Bento introduziram o estilo germânico, inspirado nos monges da Baviera, ampliando a estrutura e deixando uma herança arquitetônica que torna a igreja única na região. Nas décadas seguintes, passou por reformas sob influência da Missão Consolata italiana, na década de 1940, e por uma restauração no início dos anos 2000, com o objetivo de recuperar seu traçado original. O imóvel foi tombado como patrimônio material do município na década de 1990, no âmbito do Projeto Raízes.
Prédio da Prelazia
Um dos prédios históricos mais admirados de Boa Vista, o imóvel está localizado na avenida Bento Brasil, no Centro. Foi construído em 1909 pela Ordem dos Beneditinos, em estilo neoclássico, e serviu como residência oficial de padres e bispos durante o período do antigo Território do Rio Branco.
Em 1944, o capitão Ene Garcez utilizou o prédio como sede do Governo. A parte da frente era destinada aos atendimentos administrativos, enquanto, ao lado, funcionavam o serviço de rádio e a secretaria administrativa. O imóvel também abrigou uma escola para meninas indígenas, onde elas aprendiam a ler, escrever, além de atividades como trabalhos domésticos, corte e costura.
Tombado pela Prefeitura Municipal, por meio da Lei nº 231, de 10 de setembro de 1990, o prédio passou por uma restauração no início dos anos 1990.
Casa Bandeirantes
Prédio comercial erguido em 1898 para abrigar a firma J.G. Araújo, que comercializava mantimentos entre a Província do Rio Negro, atual Estado do Amazonas, e a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo, em Boa Vista. Localiza-se no final da avenida Jaime Brasil, no cruzamento com a avenida Floriano Peixoto.
Posteriormente, o imóvel foi vendido ao comerciante libanês Said Salomão e passou a se chamar Casa Bandeirante, em novembro de 1928. De arquitetura colonial, foi tombado pela Prefeitura de Boa Vista em 15 de outubro de 1993. Atualmente, funciona como anexo de uma unidade de uma rede de lojas de varejo, com apenas a fachada externa preservada.
Antiga sede da Fazenda Boa Vista (Restaurante Meu Cantinho)
Fundada em 1830 pelo capitão cearense Inácio Lopes de Magalhães, ex-comandante do Forte São Joaquim, a Fazenda Boa Vista deu origem à atual capital de Roraima. Ao seu redor, cresceu a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo (1858), elevada à categoria de Vila de Boa Vista do Rio Branco em 1887 e a município, em 9 de julho de 1890.
Com a criação do Território Federal de Roraima, em 1940, a cidade foi escolhida como capital. Hoje, o imóvel abriga o Restaurante Meu Cantinho e foi recuperado em 1996 pelo Projeto Raízes da Prefeitura de Boa Vista.
Casa das 12 Portas
Localizada no cruzamento das avenidas Jaime Brasil e Bento Brasil, nº 115, no Centro de Boa Vista, no mesmo quarteirão da Casa Bandeirantes, é um prédio comercial tombado pela Prefeitura Municipal, por meio do Decreto nº 2.614, de 15 de outubro de 1993, em reconhecimento à sua importância histórica e cultural.
Desde sua construção, o imóvel mantém função comercial em uma das vias mais antigas da cidade. Ao longo dos anos, principalmente no século XX, passou por diversas reformas que modificaram o interior e sua aparência original. Ainda assim, as doze portas que deram origem ao nome permanecem intactas na fachada. O espaço já funcionou como loja de celulares, assistência técnica de produtos eletrônicos e até lanche.
Catedral Cristo Redentor
Localizada na Praça do Centro Cívico, é um símbolo de fé, cultura e arquitetura moderna na Amazônia. O terreno foi doado em 1962, e as obras começaram oficialmente em 1967, sob a liderança do bispo Dom Servílio Conti. A inauguração solene ocorreu em 26 de novembro de 1972.
O projeto foi idealizado pelos engenheiros italianos Cappa Bava, Fiarent e Mário Fiameni, com uma estrutura em concreto armado cujas curvas remetem à barca de São Pedro, a uma harpa e a uma maloca indígena. Internamente, o teto de madeira e a luz natural criam um ambiente acolhedor e contemplativo.
A construção contou com forte participação da comunidade, que doou materiais e mão de obra. A catedral passou por reformas em 2010 e 2011 e celebrou seu jubileu de ouro em 2022.
Igreja São Sebastião
Localizada na avenida João Pereira de Melo, no Centro de Boa Vista, apresenta estilo neobarroco. Sua construção, iniciada por Guilhermina de Holanda Bessa e concluída pelas filhas em cumprimento de uma promessa ao santo, foi erguida pela população entre as décadas de 1890 e 1920. Inaugurada em 20 de janeiro de 1924, no dia de São Sebastião (padroeiro da capital), a capela foi entregue em 1927 à Prelazia de Boa Vista do Rio Branco, atual Diocese de Roraima. Tombada como patrimônio histórico, ainda resguarda características originais.
Igreja de São Francisco das Chagas
Localizada na avenida Capitão Júlio Bezerra, esquina com a avenida Major Willians, no bairro São Francisco, em Boa Vista, foi construída no século 20 e tombada pela Prefeitura Municipal, por meio do Decreto nº 2.614, de 15 de outubro de 1993.
A pedra fundamental da igreja foi lançada em 1953. Padres, irmãs da Consolata e Filhas de Maria cravaram uma cruz de madeira e enterraram uma “cápsula do tempo”, contendo uma nota de dinheiro, além dos nomes de autoridades e personalidades da época. Edificada com doações da comunidade, a igreja tornou-se paróquia em 1970.
Prédio da Intendência
Também localizado na rua Floriano Peixoto, no Centro Histórico de Boa Vista, o prédio atual é uma réplica do imóvel originalmente construído em 1900 para sediar a administração municipal, quando a região ainda integrava a Província do Amazonas.
O edifício primitivo, erguido às margens do Rio Branco, principal via de acesso à cidade naquele período, também funcionou como a primeira sede da Prefeitura. Destruído por um incêndio em 1958, foi reconstruído na década de 1990.
Hoje, abriga o Centro de Informações Turísticas da Prefeitura, dedicado à promoção do turismo e à valorização da cultura e da arte regionais.
Bazar das Novidades Said Salomão
Construído na década de 1930, na rua Bento Brasil, nº 72, no Centro de Boa Vista, o imóvel foi destinado inicialmente a atividades comerciais. Pertencente à família Said Salomão, a edificação apresenta características do ecletismo, com predomínio do estilo colonial.
O prédio foi tombado pela Prefeitura Municipal por meio do Decreto nº 2.614, de 15 de outubro de 1993, em reconhecimento à sua importância histórica e cultural para a cidade.