Mulheres podem pedir embarque e desembarque em locais mais seguros durante a noite em Boa Vista
Medida amplia a sensação de segurança de passageiras que utilizam o transporte público na cidade
Por Ráyra Fernandes
há 3 horas - Última atualização há 3 horas
Para quem volta para casa depois de um longo dia de trabalho, alguns metros podem fazer toda a diferença. Em Boa Vista, mulheres que utilizam o transporte público durante a noite podem solicitar aos motoristas que permitam o embarque ou o desembarque em locais considerados mais seguros, mesmo que não sejam os pontos convencionais.
Para embarcar, basta acenar para o ônibus. Já para desembarcar, a passageira pode se aproximar do motorista e informar o local onde se sente mais segura para descer. Segundo o diretor-presidente da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur), Sérgio Pillon, a medida foi pensada para situações em que as paradas oficiais têm pouco movimento ou ficam distantes da casa da passageira.
“Implantada pela Prefeitura de Boa Vista há três anos, essa iniciativa considera a vulnerabilidade à qual as mulheres podem estar expostas durante os deslocamentos noturnos, principalmente quando precisam caminhar sozinhas por trechos com pouca circulação de pessoas”, disse.
A ação ganhou destaque durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher. Para reforçar a mensagem, a prefeitura também adesivou dois ônibus do transporte coletivo com a temática da campanha, que circulam pelos bairros da capital levando informação e conscientização à população.
Segurança no caminho de casa
Moradora do bairro Bela Vista, a profissional de serviços gerais Francisca Costa Santos utiliza o transporte público de segunda a sábado para chegar ao trabalho e, muitas vezes, retorna para casa tarde da noite, após sair do Mini Terminal Luiz Canuto Chaves.
“Eu acho essa opção ótima, porque eu chego muito tarde em casa e a parada fica longe da minha residência. Quando o motorista consegue parar antes, em um local mais seguro, faz toda a diferença. Já pedi algumas vezes e eles sempre atendem. É muito importante para nós, mulheres”, contou.
Em dias úteis, os ônibus que circulam pelos bairros de Boa Vista transportam cerca de 34 mil passageiros. Entre eles está a fisioterapeuta Emily Costa, que trabalha no Centro da cidade e mora no bairro Nova Cidade. Ela também utiliza o transporte coletivo e só descobriu recentemente que poderia solicitar a parada em um local mais seguro.
“Mesmo em uma cidade como Boa Vista, ainda existem situações de violência e a mulher nem sempre se sente segura na rua. Poder pedir ao motorista para parar onde você se sente mais protegida transmite uma mensagem muito importante, a de que você não está sozinha e que existe alguém ali para ajudar”, destacou.
Motoristas são orientados a atender solicitações
A Empresa Cidade de Boa Vista, concessionária responsável pelo transporte público coletivo da capital, orienta os motoristas a atender aos pedidos das passageiras. Mailson Aires atua na profissão há quatro anos e afirma que a iniciativa fortalece a relação de confiança entre profissionais e usuárias do transporte.
“Às vezes, elas estão com uma criança pequena ou um bebê de colo e precisam descer em um local mais próximo de casa ou mais movimentado. A gente procura atender esses pedidos sempre que possível, porque isso transmite segurança e confiança. O nosso objetivo é proporcionar mais segurança e tranquilidade para quem utiliza o transporte público”, afirmou o motorista.
Segundo a orientação da concessionária, caso uma solicitação seja recusada, a passageira pode formalizar uma denúncia por meio da Central de Atendimento 156.
Programação do Agosto Lilás – Nesta sexta-feira, 21, a Patrulha Maria da Penha de Boa Vista embarcará nos ônibus, às 6h e às 16h, para sensibilizar os passageiros sobre a Lei Maria da Penha, principal instrumento legal de proteção contra a violência doméstica no Brasil. A ação também abordará as diferentes formas de violência contra a mulher, além de orientar sobre como identificá-las, denunciá-las e buscar proteção na capital.